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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Angry Birds e a notória falta de inspiração Hollywoodiana

É de conhecimento público que um bom filme não se faz somente com uma boa trilha sonora e inúmeras referências a obras famosas. Até mesmo a DreamWorks finalmente entendeu que precisava de um bom roteiro antes de simplesmente tacar referências gratuitas embaladas com músicas consagradas. É verdade que, até os produtores se darem conta disso, inúmeros filmes utilizaram a famigerada fórmula, como Madagascar, Bee Movie, Kung Fu Panda e tantos outros. Por isso, apesar de todos os problemas de Angry Birds – O Filme, ainda levo fé na divisão de animação da Sony/Columbia.


Baseado num jogo de celular de enorme sucesso (ah, Hollywood…), o roteiro escrito por Jon Vitti segue o cotidiano do pássaro Red (voz de Marcelo Adnet na versão brasileira) que após um grave incidente, é obrigado a fazer terapia para controlar sua raiva. Entretanto, com a chegada de um suspeito grupo de porcos (isso mesmo), ele parece ser o único capaz de salvar a ilha onde vive. Como dá pra perceber, a história não faz o menor sentido, mas se levarmos em conta que foi adaptada de um jogo em que nos limitamos a atirar pássaros para derrubar edificações, até que não é surpreendente.


E conforme a trama vai ampliando suas lacunas, fica evidente todo o esforço dos diretores estreantes Clay Kaytis e Fergal Reilly, cujo desespero chega a ser comovente. Afinal, uma história vazia (ou inexistente) ao menos poderia render momentos divertidos, o que infelizmente acontece em raríssimas ocasiões e quase sempre em decorrência de referências (como aquela que envolve O Iluminado) ou “homenagens” (qualquer semelhança entre Chuck e o Mercúrio de X-Men, deve ser mera coincidência). Sim, o roteiro tenta incluir algumas “mensagens” supostamente edificantes, mas são tão batidas que o resultado acaba oscilando entre o patético e o piegas.


Mas nem tudo é um desastre, pois apesar de ser povoado por personagens unidimensionais, ao menos a versão brasileira confere alguma credibilidade, já que Marcelo Adnet e Fábio Porchat (cuja voz é facilmente identificável) fazem um trabalho bastante elogiável. A parte técnica também não deixa a desejar, fazendo jus ao bom padrão de qualidade estabelecido na indústria. A trilha sonora também deve agradar, já que será difícil não se deixar levar por clássicos do Rock.


Recheado de piadas bobas e rasteiras que parecem tiradas daqueles humorísticos da TV Aberta (ouvir “de Bacon a vida” chega a ser ofensivo), a produção faz questão de deixar claro que seu alvo é o público infantil, o que certamente incomodará os mais velhos e aqueles que esperam um equilíbrio, como o visto nas produções da Disney e da Pixar, por exemplo.


Angry Birds – O Filme é uma produção que visa agradar somente aos [bem] mais novos e, a julgar pela história absurdamente rasa, talvez nem eles lembrem do que acabaram de assistir. Uma pena, pois se os produtores conseguissem a proeza de criarem uma boa história adaptada do jogo, o filme tinha potencial para ser muito mais do que um amontoado de referências gratuitas e boa trilha sonora.


NOTA 3,5

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