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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Armas em Jogo" disfarça contradições com ação frenética

É um comportamento natural, ao descobrir Guns Akimbo (no original), se perguntar o que diabos faz Daniel Radcliffe (o eterno Harry Potter) em seu elenco. Mas a resposta não demora a surgir e é tão simples quanto parece: depois de acumular uma nada modesta fortuna em libras esterlinas e figurar (ano após ano) em listas de jovens mais ricos e rentáveis do mundo, ele parece ser o tipo de sujeito que pode se dar o luxo de não pensar em dinheiro e... fazer o filme que bem entender.


E depois de meia hora de projeção, seu interesse pelo projeto mostra-se plenamente justificável: logo depois de um breve prólogo que descortina o mundo absurdo no qual estamos prestes a entrar - uma violenta mistura de Nerve com Jogos Vorazes - Armas em Jogo (como o título foi traduzido no Brasil) salta de uma sequência de ação a outra com a rapidez que Michael Bay sempre sonhou, mas acompanhada da fluidez que sempre lhe faltou.


Cortes rápidos são substituídos por arrojados movimentos de câmera que são incorporados à coreografia sempre bem executada e, na maioria das vezes, certeira na combinação estilo + eficácia. O balé de balas voadoras e armas brancas é conduzido pelo diretor/roteirista Jason Lei Howden como uma experiência quase alucinógena, o que é evidenciado pela colaboração da colorida fotografia com o sujo design de produção.


Porém, após esse divertido primeiro ato, Armas em Jogo perde o fôlego e aos poucos vai mostrando que, na verdade, não tem muito a dizer. A anarquia dá lugar à contradição e o roteiro se torna incoerente. Nem mesmo a carismática atuação de Radcliffe e sua ótima química com a promissora Samara Weaving salvam a produção de se entregar a um desfecho que frustra justamente por ser tão previsível quanto parecia não ser.


Em seu discurso, sobram alfinetadas na geração millenial e o comportamento troll, críticas à espetacularização da violência e o doentio apetite da Sociedade pela violência. Ou seja, tudo aquilo que o filme abraça sem reservas: atrai os millenials com sua temática supostamente anárquica e obcecada por referências, capta em câmera lenta cada esguicho de sangue ou dedo decepado e... bem, isso é um filme buscando público, não?


No final das contas, toda a pretensão de Armas em Jogo é facilmente desmascarada e até mesmo o menos inteligente de seus coadjuvantes pode reconhecer isso, já a sua cara de pau acaba sendo mais impressionante do que toda a trucagem empregada para disfarça-la.


NOTA 5

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