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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Assassin's Creed perpetua sina das adaptações de games

Assassin’s Creed é um dos maiores jogos de videogame da atualidade, sendo talvez, a maior franquia da Ubisoft, gigante da indústria de games. Totalizando quase dez jogos lançados, além de livros que aprofundam a mitologia da série, Assassin’s Creed notabilizou-se por levar aos jogadores de videogame uma verdadeira aula de História a cada exemplar produzido. Temas como a Revolução Francesa, ganharam vida em histórias que apresentavam o eterno conflito entre Templários e Assassinos. Justamente por ter enredos tão bem desenvolvidos (e tão bem sucedidos), era uma questão de tempo até que um estúdio manifestasse o desejo de adaptá-lo para as telonas.


Porém, a primeira “regra” de uma adaptação é a que diz que um filme que dependa exclusivamente de outra mídia para funcionar, está fadado ao fracasso, afinal, o espectador não familiarizado com o material de origem (aqui, os games) não deve ser excluído. Inacreditavelmente, é exatamente o que acontece com a nova produção da Fox.


Em seu primeiro trabalho também como produtor, o protagonista Michael Fassbender demonstra inteligência ao se cercar de profissionais competentes, retomando assim sua parceria com os colegas do ótimo Macbeth: Ambição e Guerra, como o diretor Justin Kurzel e a co-protagonista Marion Cotillard, e adicionando o excelente Jeremy Irons (o Alfred de Batman vs Superman) ao elenco. Porém, o mais intrigante é que mesmo assim, Assassin’s Creed jamais se prova à altura de seus realizadores.


Contando com uma promissora sequência que mostra a juventude de Callum Lynch, o filme rapidamente se entrega a uma trama que raramente se dá ao trabalho de explicar seus complexos conceitos. Assim, Assassin’s Creed acaba se transformando numa experiência confusa e caótica para aqueles que não tiveram contato com a série, decepcionando também ao não explorar o potencial do conflito entre Assassinos e Templários (essência dos games), resumindo toda a história por trás do embate em um mero texto introdutório.


O elenco, por sua vez, não demonstra muito interesse na produção, o que fica patente na performance em piloto automático de Jeremy Irons e na inexpressividade da atriz francesa vencedora do Oscar Marion Cotillard. Já Michael Fassbender até tenta conferir intensidade ao seu Cal Lynch, mas o roteiro o obriga a protagonizar momentos vergonhosos como na cena em que canta Crazy, de Willie Nelson, enquanto é carregado por brutamontes.


E por falar em roteiro, Michael Lesslie, Adam Cooper e Bill Collage, elevam o conceito do ridículo a um novo nível ao introduzir a “Maçã do Éden” para a narrativa sob um pretexto risível. Para piorar, o trio não consegue conferir personalidade a Cal Lynch, transformando-o numa mera figura unidimensional que só existe para pular de telhados e perfurar inimigos. A direção de arte é inócua e a trilha sonora parece ter um único propósito: ensurdecer o espectador.


Os efeitos visuais, embora soem gratuitos em vários momentos, ao menos contribuem para algumas boas tomadas, como o plano aéreo que mostra uma batalha ou as várias cenas em que a narrativa faz uma pausa para podermos acompanhar o voo de uma águia, ou melhor, do “espírito dos assassinos”.


O diretor Justin Kurzel também consegue desperdiçar boas ideias ao construir sequências de ação incompreensíveis e mal conduzidas, apresentando conceitos que jamais alcançam o potencial demonstrado inicialmente. E o que dizer do “Salto de Fé”, marca registrada da série?


Disparatado e confuso, Assassin’s Creed é uma experiência caótica e profundamente decepcionante. Um equívoco cometido por uma equipe consagrada e que, ao final, ainda tem a petulância de deixar uma brecha para uma continuação. Com todo o respeito aos fãs dos jogos, mas se for para seguir esse padrão de qualidade, é melhor que a série não volte tão cedo para as telonas.


NOTA 2



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