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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Beleza Oculta é mais um desperdício na carreira de Will Smith

Um homem talentoso e cheio de energia muda drasticamente após a morte de sua filha. Após anos de sofrimento, ele passa a adotar um jeito pouco convencional de lidar com sua perda e resolve escrever cartas para três elementos que, segundo ele, estão diretamente ligados: o Tempo, o Amor e a Morte.


Um dia, o triste homem recebe a inusitada visita de uma idosa que diz ser a Morte e, o que antes já parecia loucura, fica ainda pior quando o Tempo e o Amor também aparecem. Apesar de carecer de originalidade, a premissa de Beleza Oculta atraiu a atenção de atores do calibre de Will Smith, Kate Winslet, Helen Mirren e Edward Norton.


O roteirista Allan Loeb parece não entender que, além de um bom elenco, um bom roteiro é fundamental para o sucesso artístico de um filme. E dá para ir além: por melhor que seja a ideia, se o roteiro não for bem escrito, dificilmente o resultado será plenamente satisfatório.


Dirigido por David Frankel (do ótimo O Diabo Veste Prada e do bom Um Divã Para Dois), Beleza Oculta é eficiente ao apresentar o protagonista (Will Smith), mas logo em seguida já se entrega ao óbvio, investindo numa série quase infinita de diálogos expositivos, o que imediatamente nos tira do filme.


E ver Edward Norton em sequências artificiais como aquela que se passa numa escada, só não é mais triste do que constatar que Kate Winslet também está presente. Michael Peña (que roubou a cena como o alívio cômico de Homem-Formiga) também sofre, com a necessidade de tossir a cada vez que ameaça falar (uma tosse forçada e que surge apenas em momentos convenientes, vale ressaltar).


E o que dizer da primeira cena de Keira Knightley, que não faz o menor sentido, já que sua personagem é vista numa fila apenas para abandoná-la sem qualquer explicação? Na verdade, há sim uma explicação: sua Amy só aparece para chamar a atenção do personagem de Edward Norton e sua fuga repentina só acontece para que o mesmo possa perseguí-la e descobrir o teatro onde ela trabalha. Já Helen Mirren acaba sendo o grande destaque do elenco secundário, já que confere uma energia contagiante à Brigitte, beneficiando-se também do fato de possuir as melhores falas do filme.


Do elenco principal, Will Smith usa seu talento habitual para conferir intensidade e, ao mesmo tempo, sensibilidade a Howard, aproveitando bem a boa química com a bela e talentosa Naomie Harris (indicada ao Oscar pelo vindouro Moonlight).


No entanto, mesmo que conte com tantos defeitos, é preciso reconhecer a (pequena) parcela de virtudes do roteiro de Allan Loeb (de Quebrando a Banca e Esposa de Mentirinha), como a boa piada envolvendo a série CSI e a pertinente crítica presente na frase dita por Brigitte: “ninguém mais assiste a nada que tenha mais de 8 segundos de duração”.


Infelizmente, Loeb parece investir numa lógica semelhante à mitológica Hidra, visto que para cada boa sacada, surgem mais dois clichês, como os utilizados na previsível resolução encontrada para a trama. Um acerto inesperado da produção, porém, foi a surpreendente escolha de Theodore Shapiro para compor a trilha sonora, já que o músico está mais habituado às comédias.


O mesmo não pode ser dito a respeito do veterano David Frankel que, mostrando-se pouco inspirado, oferece um trabalho tão burocrático quanto aquele realizado no frustrante O Grande Ano (que também contava com um elenco notável).


Com isso, Beleza Oculta consegue a proeza de desperdiçar um elenco que soma quase vinte indicações ao Oscar e, ainda que seja nobre em suas intenções, acaba esbarrando num roteiro que o transforma numa experiência previsível e decepcionante.


Depois do fraco Um Homem Entre Gigantes, Will Smith volta a atuar num filme que não faz jus ao seu talento. Talvez seja a hora de trocar de agente.


NOTA 4,5

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