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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Djinn: Cuidado Com o Que Deseja" chega às plataformas digitais

Estando na era das continuações e dos reboots, é compreensível que alguns realizadores recorram a ideias recicladas para criar novos filmes. Ainda que seja extremamente difícil manter-se original depois de mais de um século de Cinema, é sempre válido ver o esforço daqueles que mantém a chama acesa do bom e velho storytelling. Por isso, se Djinn: Cuidado Com o Que Deseja pinça elementos de O Mestre dos Desejos, Esqueceram de Mim e Poltergeist, ao menos os utiliza com relativa competência, proporcionando uma atmosfera tensa e envolvente na maior parte do tempo.


Na trama, Dylan (Ezra Dewey) é um menino mudo de 12 anos que vive com o pai (Rob Brownstein) após o falecimento de sua mãe num evento traumático misterioso. Numa bela noite, quando seu pai sai para um plantão surpresa, Dylan acaba ficando sozinho em casa. Sem ter o que fazer, ele vasculha um armário e descobre um livro antigo, escondido sob outros objetos. Intitulado "Livro das Sombras", suas páginas oferecem um ritual capaz de conceder qualquer desejo a quem executá-lo. Empolgado com a possibilidade de ter uma voz, Dylan mal se dá o trabalho de terminar de ler para saber o custo que seu pedido terá. Assim, algumas gotas de sangue, uma vela e um relógio depois, Dylan acaba libertando Djinn, uma antiga entidade que promete lhe dar uma voz, mas somente se ele sobreviver até meia-noite.


O filme, então, coloca o pobre menino passando por maus bocados enquanto espíritos malignos invadem o local tentando matá-lo a qualquer custo. O roteiro, escrito pelos próprios diretores David Charbonnier e Justin Powell, investe em eventos episódicos que se beneficiam de uma boa atmosfera de suspense. Com ambientes pouco iluminados e grandes demais aos olhos de uma criança, a dupla de cineastas mantém o espectador sob um ininterrupto estado de alerta, tentando antecipar o mal que pode surgir a qualquer momento.


Dylan é encarnado com espantosa expressividade por Ezra Dewey, que se sai bem tanto na desafiadora tarefa de interpretar um mudo, como em carregar um filme sozinho. Sua performance acaba atuando como uma espécie de atenuante para a natureza modesta dos recursos apresentados pela produção, claramente concebida com um orçamento apertado. O que não justifica a indesculpável insegurança por parte dos realizadores, que após uma hora de projeção, resolve mastigar para o espectador tudo o que já havia sido consolidado.


Com um ou outro susto bem executado, Djinn sofre com a previsibilidade de suas estratégias, sempre apoiadas no silêncio e no desconhecido. Em contrapartida, a fotografia merece elogios por não apelar para as sombras, algo tom comum em filmes de terror, surpreendendo ao manter tudo (relativamente) às claras. Já o centro emocional, embora frágil no estabelecimento de um elo com o espectador, cumpre a função de sustentar uma reviravolta no terceiro ato.


Em suma, Djinn: Cuidado Com o Que Deseja é uma produção independente que se sai relativamente bem ao trabalhar com seus escassos recursos, prendendo a atenção do espectador com uma trama suficientemente tensa e ancorada por uma ótima performance de seu jovem protagonista. Um trabalho talvez mundano demais para espectadores mais experientes, mas longe de ser uma bomba.


NOTA 5,5



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