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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Marquezine se esforça, mas Vou Nadar Até Você testa a paciência do espectador

Atualizado: 27 de jul. de 2022

Ambientada em Santos, litoral paulista, Vou Nadar Até Você em nenhum momento percebe a necessidade de esclarecer seus absurdos. Na realidade, o filme sequer os enxerga. Saltando de um disparate a outro com uma naturalidade tão alarmante quanto enervante, não demora muito até que a narrativa esgote toda a reserva de paciência e a boa vontade acumulada pelo espectador.


“Vou para Ubatuba”, diz a jovem protagonista para a sua mãe, às cinco da manhã enquanto carrega uma diminuta mochila impermeável. “Vai, então, vai para Ubatuba”, responde a mãe, sem oferecer qualquer resistência. E se você estava achando que pararia por aí, lembre-se do título da obra e saberá como a garota viajará.


Pois bem, alguns minutos depois de mandar pelos ares a suspensão de descrença, o roteiro faz questão de atirar a pobre menina num road movie (ou ocean movie?) mambembe que lhe colocará diante de criaturas unidimensionais enquanto torce para o espectador não fazer questionamentos e nem notar a inverossímil representação da segurança brasileira.


Como se não bastasse, a estrutura completamente desnorteada tenta acomodar planos poéticos e bem fotografados, mas que carecem de propósito, enquanto o roteiro falha miseravelmente em apresentar conflitos plausíveis para a protagonista.


Sem jamais se decidir quanto à natureza e as motivações dos dois coadjuvantes que orbitam a protagonista, o filme até esboça um comentário sobre a Arte, mas não enxerga o próprio umbigo. Se em dado momento alguém critica um artista por estar se repetindo, o que dizer de uma obra vazia?


Enquanto isso, o elenco irregular escancara uma direção de atores problemática, como fica evidenciado na excessivamente enérgica performance de Dan Stulbach, que beira o caricatural. Já Marquezine, madura, entrega-se com naturalidade e até certo grau de segurança, amenizando o tédio do espectador.


Tentando ser poético, mas soando enfadonho e despropositado, Vou Nadar Até Você ainda sofre com diálogos atrozes, o que somado à premissa absurda e seu desenvolvimento artificial, fazem da produção uma experiência sonolenta e sem brilho.


NOTA 2


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