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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Memórias Secretas é como uma versão idosa de Amnésia

Atualizado: 16 de jul. de 2022

Um homem com problemas de memória adota métodos inusitados para não esquecer de sua importante missão: vingar um ente querido. Bom, se estivéssemos no ano 2000, estaríamos falando de Amnésia, obra-prima do cultuado cineasta britânico Christopher Nolan. Mas hoje, 16 anos depois, estamos falando de Memórias Secretas, novo filme do diretor e roteirista egípcio Atom Egoyan (Indicado ao Oscar por O Doce Amanhã) e estrelado por Christopher Plummer (O ator mais velho a vencer um Oscar, por Toda Forma de Amor), que não chega a ser brilhante como seu colega temático, mas que tampouco decepcionará os fãs de uma história bem contada.


Escrito pelo estreante Benjamin August, o roteiro nos apresenta a Zev (Plummer), um idoso portador de demência que passa seus últimos dias em um asilo. Judeu e viúvo, ele se reúne com o amigo Max (Martin Landau, vencedor do Oscar por Ed Wood) para executar um engenhoso plano de vingança contra o oficial nazista que executou seus familiares. Mas, como lembrado no início do texto, Zev, em consequência de sua doença, sofre com problemas de memória, o que o obriga a ler uma carta escrita por Max sempre que acorda.


Dirigido com a competência habitual de Egoyan, Memórias secretas não decepcionará os fãs do cineasta, famoso por aproveitar bem as belas locações que escolhe. Aliás, Egoyan, que vem de uma série irregular de longas, volta a acertar a mão ao construir o suspense de forma sutil e gradual, merecendo destaque nas cenas que se passam no interior da casa de um policial e aquela que mostra Zev ao chegar ao Canadá (note o cuidado do diretor ao mostrar o oficial tentando ver o conteúdo da bolsa de Zev).


A trama, embora passe longe da originalidade, jamais deixa de ser intrigante, provocando aquela gostosa (e angustiante) sensação que nos leva a querer antecipar o final, que por sinal, ainda reserva sua parcela de surpresas.


O que não é surpresa é a excepcional performance do veterano Christopher Plummer, que brilha como Zev. Expressivo e adotando uma postura aparentemente frágil, Plummer em nenhum momento deixa de conferir determinação ao seu personagem, tendo espaço também para mostrar seu talento em cenas mais dramáticas.


Por fim, Memórias Secretas também é irrepreensível tecnicamente, méritos para o design de produção de Matthew Davies, que confere personalidade a cada ambiente do filme, com destaque para o interior da casa onde se passa grande parte do terceiro ato. A trilha sonora é espetacular, e o compositor canadense Mychael Danna (que venceu o Oscar por As Aventuras de Pi) é hábil ao imprimir tensão e igualmente bem sucedido nas cenas mais intimistas, concebendo um trabalho realmente notável.


Se dando ao luxo de incluir uma participação do grande Bruno Ganz (A Queda), Memórias Secretas é um suspense acima da média e que, graças a direção segura de Atom Egoyan, à trilha inspirada de Mychael Danna e, claro, à brilhante atuação de Christopher Plummer, certamente deixaria Hitchcock orgulhoso.


NOTA 7,5

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