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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Nova adaptação de Baywatch aposta no humor rasteiro

Sucesso no final da década de 80, a série de TV Baywatch (batizada como S.O.S. Malibu no Brasil), pegava carona no sucesso do carismático David Hasselhoff (que vinha de A Supermáquina) para narrar as aventuras de uma equipe salva-vidas. Lançando nomes como Pamela Anderson e Carmen Electra, o seriado não passava de um típico enlatado norte-americano que buscava aliar ação e mulheres de biquíni, mas o seu grande segredo residia em seu humor extravagante, decorrente dos absurdos de suas tramas.


O que essa adaptação cinematográfica tenta alcançar é basicamente o mesmo, escalando o super carismático Dwayne “The Rock” Johnson para comandar uma nova equipe de salva-vidas, que desta vez inclui o competente Zac Efron como uma peça-chave de sua nova (e absurda) história.


O maior problema do roteiro de Damian Shannon e Mark Swift (dupla de Sexta-Feira 13), no entanto, reside justamente no teor de suas piadas. Não demora muito até que Baywatch mergulhe de cabeça num humor que, de tão escatológico, acaba lembrando muito mais um filme do Adam Sandler do que sua maior inspiração, o bem sucedido Anjos da Lei.


Sim, é visível o esforço de repetir a fórmula da comédia estrelada por Channing Tatum e Jonah Hill, mas as virtudes compartilhadas ficam apenas na química entre os protagonistas, pois é difícil não se divertir com a dinâmica de Johnson e Efron, tendo seus melhores momentos na forma como o grandalhão tira sarro da imagem do ex-astro Disney (com direito a referência a High School Musical).


Além disso, o espírito absurdo da série de TV também é lembrado em vários momentos, com o personagem de Efron frequentemente questionando, por exemplo, o fato dos salva-vidas fazerem o trabalho dos policiais, com direito a perseguições e investigações de uma trama envolvendo tráfico de drogas. Outro elemento, importado da série, que não escapa das zoações é a famosa corrida em câmera lenta, que agora é protagonizada por uma nova geração de beldades.


Já o diretor Seth Gordon, embora acerte em emular o clima do seriado, erra feio ao filmar as diversas sequências de ação que, verdade seja dita, são sabotadas pelos péssimos efeitos visuais e sonoros, que escancaram o baixo orçamento da produção. Observe, por exemplo, a natureza artificial do fogo que consome um iate, ou toda a sua sequência, que culmina num The Rock saltando em câmera lenta enquanto toda a chama computadorizada engole a embarcação. As perseguições aquáticas também sofrem com o uso excessivo de tela verde, e não é difícil notar o contorno dos atores e a diferença na iluminação.


A trilha sonora é outro ponto negativo, pois o compositor Christopher Lennertz (do divertido Perfeita é a Mãe!) não vai além do óbvio, cometendo ainda o pecado de “comentar” cada cena, em (falhas) tentativas de forçar o espectador a sentir algo. Mas se há algo a sentir, é pena de seus esforços. Já a fotografia de Eric Steelberg (colaborador do bom cineasta Jason Reitman), só deverá ser lembrada pelo bom aproveitamento das locações.


Escorregando entre piadas de mal gosto e fracas sequências de ação, Baywatch – S.O.S. Malibu só escapa do desastre graças à sua boa dupla de protagonistas, que de fato, salvam a vida desta produção.


NOTA 4

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