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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

O Caçador e a Rainha do Gelo apresenta história mais leve e divertida que seu antecessor

Atualizado: 16 de jul. de 2022

Nem chegamos à metade do ano ainda e já estamos diante de mais uma continuação. Como já comentei, vivemos numa era carente de criatividade, onde sequências, adaptações e refilmagens abundam as salas de cinema do mundo todo. Sim, muitas vezes as coisas dão certo e acabamos nos deparando com algo digno de nota, mas também não são raras as vezes em que assistimos a algo tão execrável que chega a ser ofensivo. Pois bem, O Caçador e a Rainha do Gelo está longe de ser algo digno de nota, porém, apesar de se tratar da continuação de uma adaptação (Branca de Neve e o Caçador), não chega a ofender.


Dirigido pelo estreante Cedric Nicolas-Troyan (técnico de efeitos especiais indicado ao Oscar pelo filme anterior), o filme logo inicia com uma animação que já explica tudo o que aconteceu em Branca de Neve e o Caçador, para que espectadores desavisados e/ou desatentos possam entender a trama, uma forma de fazer com que não seja necessário assistir ao sofrível primeiro filme para acompanhar o segundo.


Aqui, a história se divide em duas partes: a que se passa antes dos acontecimentos do longa original e a que os sucede. Com isso, ficamos sabendo que o caçador Eric (Chris Hemsworth, o Thor, mais canastrão do que nunca) não é aquela pessoa carrancuda e sisuda do primeiro filme, pelo contrário, é romântico a ponto de fazer juras de amor e até mesmo de enfrentar um reino inteiro por sua amada. E se antes Charlize Theron (Mad Max - Estrada da Fúria) brilhava como a grande vilã Ravenna, nesse filme ela divide sua vilania com Emily Blunt (No Limite do Amanhã), que encarna a Rainha do Gelo como se estivesse o tempo todo prestes a cantar Let it Go.


Contando com um roteiro que busca abraçar as características dos contos de fadas, só se aproveita do filme original o que lhe convém: além de Eric e Ravenna, a produção parece ter conseguido espaço apenas para dois dos sete anões, dando-lhes o esperado papel de alívio cômico. Recheado de diálogos expositivos e de frases que beiram a áudio-descrição, o script de Evan Spiliotopoulos (Hércules) e Craig Mazin (Se Beber, Não Case! - Parte II) procura evitar o tom do primeiro filme e investir numa história mais tradicional e descompromissada, resultando numa aventura previsível, inofensiva, mas também leve e descontraída.


O diretor Cedric Nicolas-Troyan, ao invés de se preocupar em conferir energia às cenas de combate, prefere destacar os consagrados ótimos efeitos visuais da franquia, nos apresentando a cenas artificiais e que beiram o exibicionismo, como no instante em que deixa de concentrar o foco em Emily Blunt para perder preciosos segundos mostrando todos os detalhes de um urso polar totalmente gerado por computação gráfica.


Os ótimos efeitos visuais, aliás, embora agreguem valor de produção, não acabam contribuindo tanto para as sequências de ação, algo curioso se compararmos com o filme original. E por falar nelas, apesar de reconhecer que são todas bem coreografadas Troyan raramente nos apresenta a algo realmente empolgante.


O elenco novamente acaba tendo em Charlize Theron seu grande destaque. A atriz sul-africana assume sua (super) vilania com entrega total, com direito a gargalhadas malignas e tudo o mais. Jessica Chastain (Interestelar) usa todo seu talento e carisma para ir um pouco além do típico papel de interesse amoroso, ao passo que Emily Blunt surge como uma espécie de versão live-action da Elsa de Frozen.


O Caçador e a Rainha do Gelo termina como um típico conto de fadas disfarçado de aventura, e que se esforça como pode para driblar uma direção frouxa e um roteiro previsível. O resultado é um filme leve, descompromissado e cujas quase duas horas de projeção não deverão lhe fazer pedir seu dinheiro de volta.


NOTA 5

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