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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

O Maior Amor do Mundo é um passatempo simpático

Atualizado: 16 de jul. de 2022

O veterano cineasta norte-americano Garry Marshall se notabilizou em Hollywood graças às suas produções quase sempre protagonizadas por grandes estrelas e pelo tom “açucarado” de suas tramas. Após uma longeva carreira na Televisão, Marshall viria a conquistar fama internacional com o estrondoso sucesso de Uma Linda Mulher, em 1991, que também foi responsável por elevar Julia Roberts ao estrelato e marcar o início de uma parceria que continua até hoje, com este O Maior Amor do Mundo (Mother’s Day).


Escrito a dezesseis mãos (um mau sinal), o roteiro usa o Dia das Mães como fio condutor de suas quatro histórias, cada uma delas protagonizada por uma estrela. Na de Jennifer Aniston (recém-esnobada pelo Oscar, por Cake), uma mãe tem de lidar com os desafios impostos pela guarda compartilhada com seu ex-marido (Timothy Olyphant, da série Justified), que acaba de se casar com uma mulher 20 anos mais jovem. Já a personagem de Kate Hudson (Como Perder um Homem em 10 Dias) precisa contar com a ajuda de sua irmã para lidar com o preconceito dos pais com seu marido indiano. Enquanto Jason Sudeikis (Quero Matar Meu Chefe) interpreta um viúvo que tem muitas dificuldades em ajudar suas filhas adolescentes a superarem a perda da mãe, por fim surge Julia Roberts como uma celebridade da TV que privilegiou a carreira ao invés de ser mãe.


Depois de passar 5 anos afastado do Cinema (voltou para a TV), Garry Marshall continua sua obsessão com datas comemorativas, insistindo numa ideia que já havia sido mal aproveitada nos fracos Idas e Vindas do Amor, e Noite de Ano Novo. Aqui, Marshall mostra que apesar de toda a experiência acumulada ao longo de uma carreira com mais baixos do que altos, continua com muitas limitações, o que fica claro quando notamos sua insistência em mostrar a reação de animais a situações supostamente engraçadas. Outro sinal claro é quando, durante uma gag, o cineasta deixa de focar a reação de um grupo de pessoas a um acidente doméstico, para privilegiar uma criança executando aleatórios passos de dança.


O roteiro também não ajuda, e, com isso, somos bombardeados por diálogos artificiais e situações que, apesar de não constrangerem, não chegam a provocar gargalhadas, resultando num filme que várias vezes apenas arrancará sorrisos tímidos do público.


Já o elenco consegue se virar bem, em meio a tantos problemas. Quem melhor do que Jennifer Aniston para fazer um papel típico de Jennifer Aniston, por exemplo? Kate Hudson é outra que não sai de sua zona de conforto, ao passo que Jason Sudeikis é o único que tem chance de explorar seu timing cômico, apesar do pouco tempo de tela. E, por fim, há Julia Roberts: Reeditando uma parceria que só foi capaz de render um único bom fruto, Roberts tenta nos mostrar que sua Miranda é mais do que um estereótipo ambulante, sendo inteligente ao evitar a antipatia na hora de compor uma personagem que facilmente ganharia uma personalidade arrogante nas mãos de alguém com menos talento.


Com isso, apesar de se encontrar numa posição em que a arrogância é apenas um clichê, Miranda é franca, educada e, principalmente, simpática. Do elenco secundário vale destacar a presença da excelente Britt Robertson (do ótimo Tomorrowland) e de velhos conhecidos da filmografia do diretor, como seu colaborador recorrente Hector Helizondo, e Larry Miller que surge divertido no terceiro ato.


Apesar de tantas falhas de direção e roteiro, O Maior Amor do Mundo é simpático, leve, e com muita boa vontade. Não é um filme à altura de uma boa mãe, mas ela não deve se ofender caso seja convidada para assisti-lo.


NOTA 5

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