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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Oitava Série retrata os horrores da adolescência com rara verossimilhança

Atualizado: 16 de jul. de 2022

Crescer não é fácil. Durante a juventude, principalmente na adolescência, passamos por mudanças drásticas em vários aspectos, vivemos a pressão da chegada da fase adulta e encaramos a vida sob uma perspectiva exagerada, megalomaníaca. Por isso, um filme fiel a esse período tende a não ser uma experiência das mais agradáveis. Nesse sentido, Oitava Série é quase como um filme de terror.


Isso porque o longa-metragem do diretor/roteirista estreante Bo Burnham não apenas é fiel como retrato de uma fase complicada da vida, como é honesto em sua própria abordagem. Afinal, a história é contada a partir do ponto de vista de Kayla, uma adolescente prestes a entrar no ensino médio. Assim, a narrativa é contaminada por sua visão de mundo, o que acaba por mergulhar o espectador numa espiral de sensações que vão desde a aflição, ao constrangimento, tudo isso embalado por uma melancolia que apenas reflete a insegurança de Kayla e sua baixa autoestima.


Vivida com naturalidade inebriante por Elsie Fisher, Kayla é uma adolescente comum, com o bônus de viver na era da internet, o que a permite passar praticamente o dia todo olhando para a tela de um celular enquanto ignora os esforços de seu pai em manter uma conversa normal.


E ainda que levante questões pertinentes sobre a forma como a geração millennial absorve a tecnologia - influenciando até mesmo na estrutura da narrativa ao incorporar os vídeos que Kayla publica no YouTube - a maior força de Oitava Série é representar a mente de um adolescente sem recorrer a estereótipos ou demagogia barata. Parte desse triunfo vem da opção da produção em investir em adolescentes de verdade para comporem o elenco.


E quando digo “de verdade” me refiro não somente à idade dos atores, mas a características físicas normalmente negligenciadas em prol da defesa de um padrão de beleza muitas vezes inalcançável. Assim, somos apresentados a personagens com acne, excesso de peso, e o que o valha.


Oitava Série pode não oferecer uma experiência confortável como tantos outros coming of age (e Burnham faz questão de evocar o terror social provocado pela timidez e pela falta de confiança), mas sua beleza encontra-se justamente na honestidade com que encara a adolescência, resultando num filme que exala espontaneidade. Uma estreia impactante de Burnham, que o coloca imediatamente no seleto grupo de cineastas promissores.


NOTA: 8,5


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