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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Oxigênio" mergulha o espectador em experiência claustrofóbica

Diante de um cenário pandêmico onde o contato social deve ser reduzido ao mínimo possível e aglomerações são absolutamente contraindicadas, o roteiro de Oxigênio surgiu como uma solução paradisíaca para seus produtores. Afinal, trata-se de um filme centrado em apenas uma personagem que sequer sai de sua única locação. Perfeito.


A tal personagem é uma misteriosa figura com as feições de Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios), que entra em pânico ao despertar numa câmara criogênica que segue perdendo o pouco oxigênio que ainda possui. Contando apenas com uma inteligência artificial representada pela voz de Mathieu Amalric (Um Banho de Vida), ela deve descobrir o que a levou até ali e como reverter sua situação. Uma premissa simples e que se revela um prato cheio para que diretor Alexandre Aja (Predadores Assassinos), especialista em terrores tensos, coloque todo o seu talento em prática.


Dono de uma carreira irregular que inclui o fraquíssimo Espelhos do Medo e o bom Predadores Assassinos, o cineasta francês não tem o menor pudor em colocar o espectador lado a lado com sua heroína, mergulhando ambos num pesadelo claustrofóbico, literalmente tirando seu fôlego. Assim, quem assiste a Oxigênio, experimenta cada sensação provocada na protagonista.


Liz Hansen se apresenta como o papel dos sonhos para Laurent, uma atriz normalmente limitada. Tendo apenas que externar emoções radicais, o único desafio imposto a ela é ter de carregar o filme todo sozinha, mas até nisso acaba sendo auxiliada pela voz de Mathieu Amalric, que por sinal, parece estar se divertindo ao emular as inflexões frias desse tipo de tecnologia.


Almejando o cinema de sensações, Oxigênio é ágil e não perde tempo, beneficiando-se de uma montagem envolvente e bem executada, fornecendo as peças do quebra-cabeça de forma cuidadosa, mas sem deixar o espectador confortável demais para resolvê-lo. Afinal, o objetivo é mantê-lo na ponta de sua poltrona e roendo todas as suas unhas de suas mãos. Por outro lado, mesmo que possua um mistério intrigante, sua resolução é muito menos interessante do que seu desenvolvimento, que é conduzido pelo roteiro da estreante Christie LeBlanc de forma a priorizar a experiência.


Tecnicamente competente, Oxigênio conta com uma direção de arte que abusa do tom estéril tão presente em produções futurísticas ultimamente, embora mergulhado no véu azulado da fotografia de Maxime Alexandre (Predadores Assassinos) que não hesita em apostar nos planos fechados do início ao fim da projeção. Em contrapartida, a trilha sonora de Robin Coudert (Maria e João: O Conto das Bruxas) soa apenas correta, tentando acompanhar a atmosfera claustrofóbica.


Sem exigir muito de seu espectador, Oxigênio é uma bem-vinda novidade no irregular catálogo da Netflix, cuja predileção por produções baratas e de qualidade questionável, irá ajudar seu mais novo lançamento a conquistar seu público, ainda privado das salas de cinema. Cabe apenas um alerta para os assinantes sensíveis a ambientes fechados, com personagens confinados. Em tempos de quarentena, todo cuidado com a saúde psicológica é necessário.


NOTA 6,5


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