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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Resident Evil 6 encerra bem uma série irregular

Desde que foi adaptada às telonas pela primeira vez em 2002 com O Hóspede Maldito, a verdade é que a franquia Resident Evil nunca foi capaz de oferecer um único exemplar digno de aplausos. O que é uma pena, já que é um sucesso absoluto nos games desde os anos 90 e continua rendendo bons jogos até hoje. Por isso, quando você ler que Resident Evil 6: O Capítulo Final é o melhor da série até agora, lembre-se que isso não significa grande coisa.


Sob a batuta de Paul W.S. Anderson desde o primeiro filme, O Capítulo Final tem início com um prólogo que relembra os acontecimentos anteriores, facilitando a vida de quem não se recorda ou não assistiu, mas talvez isso não importe muito, visto que a grande virtude desta derradeira aventura é finalmente assumir o que nunca deixou de ser: um mero e descompromissado escapismo.


Qualquer pretensão de dar um desfecho para a “saga” de Alice deixa de ser relevante quando percebemos que, na realidade, não nos importamos tanto com ela. Ora, quem é Alice, senão uma criatura de expressão constantemente fechada e que vive de matar mortos-vivos ou vilões inescrupulosos usando de saltos acrobáticos e (inúmeros) tiros certeiros?


E por mais que o diretor/roteirista esqueça-se disso em breves momentos, cometendo alguns deslizes que fazem jus aos pedestres capítulos anteriores, O Capítulo Final tem moderado êxito em entreter as plateias que anseiam por um filme de ação que não se leve a sério e entregue adrenalina e tensão em boas doses.


Dito isso, não é de se espantar que o roteiro possua diálogos tão mambembes como os batidos “Senhor, ela escapou!” ou “vamos matar todos eles”. Os clichês abundam a trama, permitindo estereótipos como o do oriental lutador de kung fu ou os sustos que dependem do uso da trilha. E por falar em trilha sonora, a composição de Paul Haslinger (do memorável Mandando Bala) é certeira, casando com a série de forma assustadora.


E “assustadora” é um adjetivo que dificilmente será empregado para definir alguma passagem do filme, já que Paul W.S. Anderson (do bom Alien VS. Predador) é incapaz de provocar surpresa sem ter de apelar. Aliás, embora o filme exiba eficazes sequências de luta, o cineasta vez ou outra utiliza algum clichê, como o da faca próxima ao olho, por exemplo. Porém, verdade seja dita, a ação é o que de melhor tem a oferecer o Resident Evil 6.


Empregando a correria para mascarar a falta de profundidade da trama, Anderson e o montador Doobie White (do razoável Gamer) criam sequências enxutas e mantém o ritmo acelerado na maior parte do tempo, impedindo que o espectador se entedie ou perceba os imensos buracos que a trama exibe.


Falando em buracos, é difícil ignorar a noção distorcida de tempo que a narrativa apresenta, já que, em determinado momento, somos levados a crer que 12 horas não duram muito mais do que 40 minutos. E a falta “conveniente” de energia, que acontece apenas para permitir que os mocinhos sigam em frente? Isso para não mencionar uma sequência de ação em que Alice derrota sozinha um poderoso inimigo e logo descobre que Claire (Ali Larter, canastra como de hábito) estava próxima e poderia ter ajudado.


Já em relação à trama, Anderson introduz, de forma pouco original, a religião como causadora dos conflitos que movem o vilão. Apesar de óbvia, é uma solução que surpreende pela sobriedade, em se tratando de Resident Evil, distanciando o novo filme dos absurdos risíveis que costumavam permear a série.


Até mesmo as criaturas estão mais discretas, prova de que Anderson realmente queria uma história mais comedida dessa vez. E se não temos os exageros costumeiros, fica mais fácil apreciar as boas sequências de ação protagonizadas por Milla Jovovich que, por sinal, está muito mais segura e desempenha, com gosto, o papel de heroína de ação, sem jamais deixar de convencer.


Abusando da computação gráfica tanto na criação de cenários como na concepção das criaturas, este sexto filme não chega a impressionar, mas provoca um alívio por não exagerar nos tentáculos ou forçar a barra com aberrações desprovidas de sentido. O 3D, tão brilhantemente explorado por Paul W.S. Anderson em Resident Evil 4: Recomeço, decepciona por conta da péssima conversão e por jamais justificar-se.


Derrapando feio em seus minutos finais, cuja falta de qualidade remete imediatamente aos filmes anteriores, Resident Evil 6 talvez não seja o tal “Capítulo Final” que o subtítulo promete, a julgar pelo imenso gancho deixado.


Caso Paul W.S. Anderson finalmente se dê por satisfeito, terá conseguido a proeza de encerrar a série com seu melhor filme. Mas não se esqueça do que escrevi no final do primeiro parágrafo.



Obs: Há uma descartável fala após os créditos finais.


NOTA 5,5

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