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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Rogai Por Nós" é mais um terror de quinta categoria a chegar aos cinemas

Roteirista experiente, Evan Spiliotopoulos já foi responsável pelo script de uma infinidade de produções infantis, desde lançamentos da Disney diretamente em vídeo a uma superprodução como o live-action de A Bela e a Fera. Também chegou a enveredar pelo tortuoso caminho dos blockbusters, como ao escrever o reboot de As Panteras e a última versão de Hércules (com The Rock). Diante desse simples resumo, é possível notar que Spiliotopoulos não possui familiaridade com o Horror, gênero escolhido por ele para, além de roteirizar, também estrear como diretor.


E mesmo que uma rápida pesquisa em seu currículo não fosse feita, sua total inexperiência é sentida logo nos primeiros minutos de The Unholy (no original), quando o roteirista de sobrenome complexo começa a se entregar sem reservas aos clichês mais caquéticos possíveis. E acredite, há uma porção deles: vultos passando rapidamente na frente da câmera e no fundo da cena (acompanhados, claro, de um súbito acorde da trilha incidental), imagens católicas "chorando" sangue, reflexos na água que resolvem atacar a tela só pela sacanagem do susto (não se esqueça do acorde repentino) e aqueles sussurros marotos que geralmente precedem um susto, que logicamente também virá acompanhado de... um acorde extremamente alto da trilha sonora.


Isso, infelizmente, é tudo o que Evan Spiliotopoulos tem a oferecer, mergulhando o espectador num tédio absoluto já que nem mesmo demonstra ser capaz de desenvolver a simples premissa que apresenta no primeiro ato: uma pequena cidade interiorana torna-se o centro das atenções quando uma jovem, alegando ouvir diretamente a Virgem Maria, passa a curar milagrosamente os moradores locais.


O grande problema do diretor/roteirista é não confiar na inteligência do espectador, já que se vê na obrigação de repetir quase toda informação relevante que surge na tela. É só alguém abrir a boca para explicar algo que logo em seguida surgirá outro para resumir exatamente o que acabou de ser dito, e geralmente o encarregado dessa inglória tarefa é o personagem de Jeffrey Dean Morgan.


Ator extremamente carismático cuja carreira decolou após roubar a cena como o Comediante de Watchmen, Morgan não é muito famoso por seu alcance dramático, mas costuma se virar bem ao encarnar homens de passado obscuro ou que sejam capazes de atitudes moralmente reprováveis. É o caso de seu Gerry Fenn, um jornalista que passa a viver de manchetes baratas e sensacionalistas após perder a credibilidade. Ateu por excelência, o caso da jovem milagreira parece ter, literalmente, caído do céu para ele.


Morgan parece ter se desvencilhado de grande parte dos maneirismos de Negan, personagem que interpreta na série The Walking Dead, mas se finalmente é capaz de conter o impulso de se inclinar ao falar (o que rende memes divertidos até hoje), ele mantém os sorrisos compulsivos e o assentir de cabeça. Nada que incomode muito, porém. Até porque, não importa o quanto o ator se esforce, o roteiro sempre se certifica de sabotá-lo.


É o que fica evidente nos diálogos escritos por Spiliotopoulos, que oscilam entre o óbvio e o ridículo, como o já citado "você quer dizer que...", precedendo a exata repetição do que acabou de ser falado e a conclusão "genial" pensada por Fenn para solucionar os mistérios presentes no terceiro ato e que envolvem ter fé pela entidade errada.


Óbvio, previsível e profundamente entediante, Rogai Por Nós é um terror de quinta categoria que tenta se aproveitar da fama de seu protagonista para atrair espectadores desavisados. Tudo bem que a pandemia está forçando os grandes estúdios a desovarem suas produções menores enquanto aguardam o momento certo de lançarem as maiores, mas a Sony pegou pesado dessa vez...


NOTA 2

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