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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Samaritano" traz Stallone super-herói em aventura de poucos atrativos


Através de uma introdução estilosa, mas nada revolucionária, uma voz infantil nos apresenta a história de Samaritano: num mundo em que dois irmãos gêmeos superpoderosos se digladiam em meio a eventos extraordinários, de um lado está o benevolente Samaritano, figura que traz segurança e esperança graças às suas atitudes heroicas. Do outro está Nêmeses, ser igualmente poderoso, mas tomado pelo ódio que resolve forjar um martelo especial capaz de derrotar seu irmão.


Porém, numa noite fatídica, os dois entram em conflito numa usina elétrica, causando uma enorme explosão que, supostamente, dá cabo dos dois. Vários anos mais tarde, a cidade não conta mais com a proteção do super-herói ou com as artimanhas do super vilão, mas Sam (Javon Walton) jovem de 13 anos, acredita piamente que o Samaritano está vivo, colecionando toda a sorte de objetos e desenhos relacionados a ele enquanto busca evidências de seu paradeiro.

Inicialmente, Samaritano apresenta um universo com base no realismo fantástico, abordando a violência urbana com tons sombrios e melancólicos, corroborado pela fotografia crua e fria de David Ungaro (Os Intrusos). E é interessante notar como nem a presença de Sam é suficiente para desviar a produção de suas intenções. Mas basta a entrada de Joe (Sylvester Stallone) em cena, para os problemas começarem a aparecer, obrigando a produção a articular desajeitadamente os elementos super heroicos que se obriga a introduzir.

Não que o astro veterano responsável por clássicos do cinema de ação como Rocky, Rambo e Cobra tenha alguma parcela de culpa, muito pelo contrário, já que seu carisma indubitável é posto a serviço de uma performance contida, mas sempre valorosa. Sua dinâmica com o novato Javon Walton (da série Euphoria) é o que mantém Samaritano interessante, apesar de toda a turbulência.

Pois a necessidade de conceber um antagonista à altura do super-herói aposentado é o grande Calcanhar de Aquiles da obra. Se no primeiro ato Cyrus (Pilou Asbaek, de A Vigilante do Amanhã) é encarado como um gângster pronto para levar Sam ao mau caminho, aos poucos é levado pelo roteiro a assumir-se artificialmente como uma figura obcecada pelo vilão Nêmesis, a fim de se opor ao pacato Samaritano. Com um visual que remete ao Kiefer Sutherland de Os Garotos Perdidos, Asbaek abandona a sutileza inicial para mergulhar de cabeça no estereótipo, transformando Cyrus numa decepcionante caricatura. Caindo vertiginosamente, o personagem ganha algumas oportunidades de se humanizar perante o público durante ao primeiro ato, apenas para se entregar a atitudes exageradamente vilanescas logo depois.

Enquanto isso, o cineasta Julius Avery, do bom Operação Overlord (que também contava com Pilou Asbaek como vilão), oferece um trabalho não muito mais do que correto, elaborando sequências de ação que, se não comprometem, passam longe do brilhantismo. Nesse ponto, ele é auxiliado por efeitos visuais que impressionam graças ao uso paulatino de CGI, guardado para momentos-chave do terceiro ato.

Convertendo-se numa colcha de retalhos temática, o roteiro de Bragi F. Schut (Escape Room) pega emprestado elementos de obras superiores, como Coringa (o vilão ao final) e Logan (a criança que se alia ao herói relutante), ecoando também obras díspares como Tá Dando Onda (a relação entre Sam e Joe) e Chappie (as gangues). Isso para não mencionar os diálogos dolorosos, majoritariamente proferidos por Cyrus.

Investindo em uma reviravolta final nada surpreendente, Samaritano é uma obra que despertará mais curiosidade pela presença de Stallone do que por qualquer outro motivo, mas embora não vá além do que já vimos, tampouco deixará de divertir aqueles que buscam entretenimento rápido e de fácil compreensão.


NOTA 6


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