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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Imprevisibilidade mantém Maus Momentos no Hotel Royale interessante

Se em seu filme anterior (O Segredo da Cabana, sua estreia como diretor), o roteirista Drew Goddard brincava com as convenções do terror ao subvertê-las em prol de uma história imprevisível, aqui, em Maus Momentos no Hotel Royale, ele usa a imprevisibilidade em prol de uma história que tem muito mais embalagem do que conteúdo. Tecnicamente competente e esteticamente atraente, a boa direção de arte é hábil na construção de uma ambientação retrô, conferindo personalidade também ao interior do hotel presente no título.


Por outro lado, essa preocupação plástica, ao invés de caminhar lado a lado com o script, acaba chamando muito mais atenção, visto que o Goddard roteirista, no final das contas, tem menos a dizer do que aparenta. A atmosfera tensa, que bebe da fonte do imprevisível para sugerir que algo grave pode acontecer a qualquer momento, é mérito do Goddard cineasta, também merecendo elogios por extrair boas performances da parcela menos conhecida do elenco.


Cynthia Erivo (As Viúvas), por exemplo, surge como uma estrela pronta, aliando carisma, expressividade e um impressionante talento vocal, ao passo que Lewis Pullmann (A Rota Selvagem), aquele com o melhor arco dramático da trama, começa como um serviçal burocrático e protocolar, transforma-se num jovem indefeso e culmina numa posição completamente diferente, demonstrando versatilidade e amplitude dramática. Outro ponto positivo é a atuação repleta de acidez de Dakota Johnson, deixando para trás a Anastasia Steele da ridícula trilogia Cinquenta Tons. Elogiar Jeff Bridges (Tron: O Legado) e Jon Hamm (Te Peguei!) é chover no molhado, assim como apontar as limitações dramáticas de Chris Hemsworth (o Thor), aparentemente inapto a interpretar Billy, uma espécie de Charles Manson descamisado.


Mais longo do que deveria e julgando ser mais complexo do que realmente é, a produção alcança seus melhores momentos enquanto a aura misteriosa do hotel El Royale é preservada. Assim que ela é quebrada, demora a recuperar o fôlego, dependendo de um clímax forçosamente explosivo para isso. Na escalada de Drew Goddard como realizador, fica um degrau abaixo de O Segredo da Cabana.


NOTA: 6

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