top of page

CRÍTICA | "Sonhos"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • 1 de nov.
  • 2 min de leitura

*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025


ree

Jennifer McCarthy (Jessica Chastain) é executiva de uma empresa do tipo que realiza ações filantrópicas para passar uma imagem progressista ao público. Uma dessas ações envolve uma filial na Cidade do México, prestando auxílio aos locais e fomentando a economia do lugar. É justamente onde ela conhece Fernando (Isaac Hernández), um jovem sem rumo cujo talento único parece aquele voltado para o balé. Desse encontro inesperado, brota uma relação tão fulminante quanto inesperada, a ponto de o rapaz imigrar ilegalmente para os Estados Unidos a fim de se unir à amada.


A partir daí, o roteiro escrito por Michel Franco (que também dirige) ironiza o próprio título ao focar na obsessão de Jennifer por Fernando, que com a evolução da relação, passa a demandar mais do que efêmeros encontros sigilosos.

ree

Vencedora do Oscar por Os Olhos de Tammy Faye (2021), Jessica Chastain constrói Jennifer como uma mulher poderosa e desacostumada a ter seus desejos negados. Talvez por isso, sinta uma atração quase maníaca por Fernando, sabendo se tratar de uma união impossível por diversos tabus. Além disso, pelo segredo, é ela quem tem de ir atrás do sujeito para ter seu apetite saciado.

ree

Aos poucos tudo vai pelos ares à medida que as desigualdades vão se ampliando. Não em termos financeiros ou sociais, mas na forma com que Jennifer trata Fernando: um mero brinquedo sexual. E a Isaac Fernandez cai bem tanto o arquétipo do amante latino, quanto do jovem fogoso.

ree

Se por um lado a narrativa desperta curiosidade por evitar convenções (nada de perseguições ao sonho americano por aqui), por outro, entrega-se a joguetes sexuais mais apropriados à franquia Cinquenta Tons de Cinza (2015-2018), com destaque para a sequência de sexo que, rodada numa escada, consegue ocultar os genitais do casal através da presença conveniente dos degraus.

ree

Franco também é competente ao estabelecer os contrastes entre Jennifer, uma solitária e Fernando, um menino simpático e querido por todos à sua volta. Até por isso, a escolha por tons frios para banharem as cenas protagonizadas pela mulher e o amarelo quente que envelopa as sequências com o rapaz, representa um toque sutil e adequado da parte do diretor de fotografia Yves Cape.

ree

Infelizmente, Franco parece tão enebriado pelo thriller erótico em mãos, que se esquece para onde estava indo em primeiro lugar. Tal distração cobra um preço alto, ocasionando uma brusca mudança de tom com o objetivo de se encaminhar para o final. Que apesar de frustrante tematicamente, ao menos merece pontos por permanecer fiel ao arco da protagonista, que jamais se apresentou como uma santa. Longe disso, ela é a personificação perfeita da hiprocrisia que rege o capitalismo estadunidense.


NOTA 6

bottom of page
google.com, pub-9093057257140216, DIRECT, f08c47fec0942fa0