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Os Indicados ao Oscar 2026

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Na manhã de ontem, Danielle Brooks (do remake musical A Cor Púrpura) e Lewis Pulmann (o Bob de Top Gun: Maverick e Thunderbolts*) anunciaram os indicados ao prêmio mais cobiçado da indústria cinematográfica. A era dos "velhinhos da Academia" ficou para trás e os quase dez mil membros refletiram em suas escolhas o novo corpo de votantes: diverso, plural e, sobretudo, internacional. Se no passado as categorias principais praticamente só contemplavam filmes falados em inglês, hoje vemos um recorde de indicações para obras produzidas fora da Terra do Tio Sam. E "recorde" foi praticamente uma palavra de ordem após a transmissão do canal da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no YouTube chegar ao fim.

Imagem do filme "Pecadores"
Imagem do filme "Pecadores"

O mais expressivo, claro, é o de Pecadores, que confirmou as previsões (incluindo as deste que vos escreve) mais otimistas e superou as 14 indicações de A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land: Cantando Estações (2016). E não estamos falando daquele tipo de produção relegada a quesitos técnicos, pois o longa-metragem de Ryan Coogler apareceu forte nas categorias mais nobres, incluindo as de Melhor Filme, Direção e Ator. Essa proeza fica ainda maior quando consideramos se tratar de um terror, gênero historicamente esquecido pela Academia. De todas as 16 nomeações, algumas surpreenderam, como as de Delroy Lindo e Wumni Mosaku entre os coadjuvantes e a presença dupla em Melhor Canção Original. Se a última surgiu de repente para garantir a vaga, o primeiro teve o reconhecimento que já vinha merecendo desde a ótima performance em Destacamento Blood, de Spike Lee. Michael B. Jordan, no auge do estrelato, era outro que passava da hora de ser notado.

Michael B. Jordan em cena de "Pecadores"
Michael B. Jordan em cena de "Pecadores"

Mas o sucesso acachapante de Pecadores sinaliza o sintoma de um fenômeno explicado pela condensação entre os filmes contemplados. Perceba como a diversidade de títulos diminuiu, consequentemente aumentando o volume de nomeações para os poucos escolhidos. Esta 98ª edição do Oscar teve nada menos do que TRÊS filmes recebendo nove indicações cada (Frankenstein, Marty Supreme e Valor Sentimental), número suficiente para torná-los líderes em anos anteriores (como em 2009, com Avatar e Guerra ao Terror), mas abaixo das 13 conseguidas por Uma Batalha Após a Outra, que sequer foi o mais lembrado, veja só. O filme de Paul Thomas Anderson, porém, é o grande favorito da vez e deve ficar com os principais prêmios da noite do dia 15 de março, confirmando o favoritismo demonstrado desde o início da temporada de premiações. Já nas categorias técnicas, a disputa com Pecadores promete ser acirrada.

Joel Edgerton
Joel Edgerton

Acirradíssima estava a concorrência entre os indicados a Melhor Ator. Foi um ano generoso em matéria de grandes atuações e a única certeza era de que essa seria a categoria com mais esnobados. Foi o caso de Joel Edgerton, australiano com uma longa e brilhante carreira, mas que vem batendo na trave quando o assunto é Oscar. Primeiro com Reino Animal (2010) e por último com Loving: Uma História de Amor (2016), passando por Guerreiro (2011) e A Hora Mais Escura (2012) antes de chegar a Sonhos de Trem, onde nem sua performance mais inspirada e no filme mais celebrado pelos votantes foi capaz de assegurá-lo uma vaga entre os escolhidos. Quem conseguiu (merecidamente) foi Ethan Hawke, que também costuma bater na trave, mas na hora de vencer. Blue Moon proporcionou sua quinta indicação, a primeira como ator principal. Jesse Plemons, por Bugonia, e George Clooney, por Jay Kelly, foram outros que também começaram bem, mas morreram na praia. No entanto, a esnobada mais expressiva foi a de Paul Mescal (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet), presença dada como certa entre os indicados a Melhor Ator Coadjuvante.

Ariana Grande e Cynthia Erivo em cena de "Wicked: Parte 2"
Ariana Grande e Cynthia Erivo em cena de "Wicked: Parte 2"

Em relação aos filmes, chamou atenção a ausência absoluta de Wicked: Parte 2, dois anos depois de o anterior emplacar dez indicações e sair com duas estatuetas. É o que deve acontecer em breve com a franquia Avatar se levarmos em conta a queda de indicações a cada filme. Enquanto o primeiro foi lembrado em 9 categorias, O Caminho da Água viu o número cair para quatro e o mais novo sucesso bilionário de James Cameron aparece apenas em duas. E confesso que uma delas (Figurino) ainda não fez sentido para mim. Com duas das maiores bilheterias do ano dividindo a opinião dos votantes, sobrou para F1: O Filme abocanhar a vaga tradicionalmente reservada para o chamado "arrasa-quarteirão", surpreendendo com a única nomeação fora da ala técnica.

Amy Madigan, intérprete da Tia Gladys de "A Hora do Mal"
Amy Madigan, intérprete da Tia Gladys de "A Hora do Mal"

Entre as surpresas, talvez a mais agradável tenha sido Amy Madigan e sua atuação como a sinistra Tia Gladys em A Hora do Mal. A esposa de Ed Harris, inclusive, bateu o recorde de maior tempo entre duas indicações (sua primeira foi por Duas Vezes na Vida, há 40 anos). Seguindo o mesmo caminho, Kate Hudson recebeu sua segunda indicação ao Oscar (por Song Sung Blue: Um Sonho a Dois) 25 anos após o reconhecimento por Quase Famosos.

Imagem do filme "O Agente Secreto"
Imagem do filme "O Agente Secreto"

Claro que não poderia deixar de comentar sobre as merecidíssimas quatro indicações de O Agente Secreto, igualando o clássico Cidade de Deus (2002) e superando Ainda Estou Aqui, atual vencedor da categoria Filme Internacional e primeiríssimo longa brasileiro a conquistar um Oscar. O diferencial foi ter aparecido entre os concorrentes a Melhor Elenco, novidade dessa edição. Além da possibilidade de levar o Brasil a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional pelo segundo ano consecutivo, já pensou se o filme de Kleber Mendonça Filho se torna também o primeiro ganhador de uma categoria?

Wagner Moura no Globo de Ouro
Wagner Moura no Globo de Ouro

As chances são reais, assim como as de Wagner Moura, oficialmente o primeiro ator brasileiro indicado ao Oscar. Por outro lado, o baiano terá em Timothée Chalamet um adversário pesadíssimo. De toda forma, com cinco grandes atuações, podemos ter a certeza de que a estatueta estará em boas mãos. Nos resta aguardar.





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