Oscar 2026 | Palpites Finais
- Guilherme Cândido

- há 5 dias
- 10 min de leitura
Saudações, leitores!

Mais uma temporada de premiações se encerrando, o que significa a proximidade de mais uma cerimônia de entrega do Oscar. E mais uma vez o Brasil marca presença! Se ano passado tivemos Ainda Estou Aqui fazendo história, esse ano temos O Agente Secreto tentando repetir o feito. O longa-metragem do pernambucano Kleber Mendonça Filho igualou Cidade de Deus (2002) e tornou-se a produção brasileira mais indicada de todos os tempos ao aparecer em quatro categorias, incluindo a tradicionalíssima Melhor Filme e a novíssima Melhor Elenco.
Mas se ano passado tivemos uma hecatombe midiática derrubando Emília Pérez, o filme mais indicado daquela edição, do posto de favorito, o que inevitavelmente acabou beneficiando Ainda Estou Aqui, dessa vez a situação é outra. O norueguês Valor Sentimental pode não ter sido o campeão de indicações da vez, mas está bem posicionado com sólidas nove nomeações e a categorias nobres como Direção, Roteiro Original e (duplamente) Atriz Coadjuvante. Pode não ser a aposta mais segura na maioria delas, mas é justamente na que mais interessará os brasileiros que estiverem assistindo à cerimônia no domingo à noite. Caso esse cenário se confirme, será o primeiro Oscar do país nórdico, após seis indicações. Aliás, sabe a última vez que esses números apareceram? Pois é, ano passado e com o Brasil.
O bicampeonato entraria para a História, nos colocando no seleto grupo de países vitoriosos em anos consecutivos. França e Itália, atualmente, detém o recorde, com três Oscars consecutivos na categoria Filme Estrangeiro, ao passo que Suécia e Dinamarca seriam nossos alvos. Se isso realmente acontecer será frustrante, claro, mas passará longe de uma injustiça. Valor Sentimental também é um grande filme, ficando inclusive em segundo lugar no meu ranking de todos os lançamentos vistos em 2026, ficando atrás apenas de O Agente Secreto, que na minha humilde opinião é melhor até do que qualquer outro indicado à categoria principal.
Que esse ano está dividida entre dois gigantes: Pecadores e Uma Batalha Após a Outra. O primeiro, ostenta o recorde de indicações, concorrendo a espantosos 16 Oscars. Já o segundo, mantém o favoritismo conquistado desde que estreou. Além disso, o longa-metragem faturou os principais prêmios precursores da temporada e traz uma narrativa a qual a Academia dificilmente resistirá: a de finalmente premiar o mestre Paul Thomas Anderson.
Diferente das edições mais recentes, quando representavam as primeiras barbadas da noite, as categorias de atuações coadjuvantes surgem como as maiores incógnitas da vez. Pelos homens, Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) e Stellan Skarsgård (Valor Sentimental) ganharam precursores suficientes para postularem à estatueta, mas Jacob Elordi (Frankenstein) corre por fora. Entre as mulheres, uma indefinição ainda maior, com Amy Madigan (A Hora do Mal), Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) e Wunmi Mosaku (Pecadores) dividindo as premiações "termômetros".
Nas categorias técnicas, outra briga de foice no escuro. Se houver uma limpa, provavelmente será de Pecadores, mas isso dependerá do amor dos votantes pelo filme de Ryan Coogler. Tudo indica, porém, uma divisão de prêmios incluindo Uma Batalha Após a Outra e Frankenstein, cuja direção de Guillermo Del Toro sempre se destaca no aspecto estético. Falando nisso, há uma forte possibilidade de ocorrer uma canibalização de filmes de terror, com Frankenstein e Pecadores revezando estatuetas (Figurino, Design de Produção e Maquiagem).
Apesar dos prognósticos apontarem por uma categoria já fechada, torço para Zootopia 2 ser O Menino e a Garça desse ano, surpreendendo e impedindo Guerreiras do K-Pop de ganhar como Melhor Animação. Foi um ano fraco, é verdade, mas premiar a produção da Netflix é abraçar a mediocridade. Ainda que a continuação da Disney fique aquém do brilhantismo de seu antecessor (vencedor do Oscar, vale lembrar), é o melhor entre os indicados. Aliás, A Pequena Amélie e Arco também seriam aceitáveis, o que só piora a situação.
Guerreiras do K-Pop também é favorito a Melhor Canção, com o hit global Golden, mas compete contra uma faixa de Pecadores, que nesse ano é um adversário que ninguém gostaria de ter. O melhor dos mundos seria a animação vencendo apenas aqui e deixando a outra categoria para a aventura animal, o que passaria longe de ser injusto (é uma música chiclete, convenhamos), se esquecermos da ausência de Drive, do sucesso F1: O Filme.
Isso posto, vamos aos palpites finais para cada uma das categorias, lembrando que títulos em vermelho possuem críticas (basta clicar para ler). Quem acompanha o Tomada 7 vai perceber um modelo diferente e espero que gostem da novidade.
MELHOR FILME

Vai vencer: Uma Batalha Após a Outra Deveria vencer: O Agente Secreto
Está no páreo: Pecadores
Pode surpreender: Não haverá surpresa
Despontando como favorito desde que estreou em setembro passado, Uma Batalha Após a Outra não só conquistou a crítica, como abocanhou prêmios importantes incluindo o PGA, tradicional termômetro do Oscar de Melhor Filme. Além disso, premiar Uma Batalha Após a Outra significa finalmente celebrar a carreira de Paul Thomas Anderson, o que deve acontecer de forma dupla.
Por outro lado, Pecadores cresceu nas últimas semanas e conquistou uma vitória surpreendente no antigo SAG, o sindicato dos atores (que compõe a maioria do corpo votante da Academia). Também ajuda o fato de ser não apenas o mais indicado desse ano, como de todos os tempos, quebrando um recorde histórico e refletindo o prestígio da produção junto aos membros. Portanto, se Pecadores realmente acabar vencendo, passará muito longe de ser uma surpresa. E não espere outro filme vencendo no lugar dos grandes destaques do Oscar 2026, uma pena para os admiradores do brasileiríssimo O Agente Secreto, o meu favorito da temporada.
MELHOR DIREÇÃO

Vai vencer: Paul Thomas Anderson por Uma Batalha Após a Outra
Deveria vencer: Paul Thomas Anderson por Uma Batalha Após a Outra
Pode surpreender: Ryan Coogler por Pecadores
Esse é o ano de Paul Thomas Anderson. Depois do constrangimento de indicá-lo onze vezes e jamais premiá-lo, a Academia finalmente reconhecerá um dos grandes cineastas de sua geração e a tendência é Anderson subir ao palco mais de uma vez.
Apesar de Pecadores gozar de certo momentum, o diretor Ryan Coogler não teve força suficiente para vencer os prêmios precursores, que foram quase todos para o realizador de Uma Batalha Após a Outra, incluindo o do sindicado dos Diretores, o que normalmente assegura a estatueta. Assim como em várias categorias da noite, é uma disputa entre os dois filmes mais indicados, desta vez com larga vantagem para Paul Thomas Anderson.
MELHOR ATRIZ

Vai vencer: Jessie Buckley por Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Deveria vencer: Jessie Buckley por Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Pode surpreender: Rose Byrne por Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Todas as indicadas são excelentes, mas Buckley venceu praticamente todos os prêmios de atuação principal da temporada. Sua performance é poderosa e eleva o nível (já alto) de Hamnet, do qual é a alma. Ela levará o Oscar pela primeira vez e qualquer resultado diferente disso será um escândalo.
MELHOR ATOR

Vai vencer: Timothée Chalamet por Marty Supreme
Deveria vencer: Timothée Chalamet por Marty Supreme
Está no páreo: Michael B. Jordan por Pecadores
Pode surpreender: Wagner Moura por O Agente Secreto
Aqui as coisas começam a ficar interessantes. Wagner Moura despontaria como favorito lá no início do ano quando venceu em Cannes (o primeiro brasileiro a conquistar tal feito), mas a campanha de Timothée Chalamet começou assim que o ator foi escalado. Comprometido com a divulgação de Marty Supreme, Chalamet investiu pesado em aparições públicas e rapidamente tomou a dianteira da corrida, mas viu sua estratégia entrar em rota de colisão com o tradicionalismo típico do Oscar. Há quem diga que não corrigiu a rota a tempo, o que abriu espaço para a ascensão de Michael B. Jordan.
Protagonista da produção mais lembrada da noite, Jordan acaba de levar o prêmio do Sindicato dos Atores, o que normalmente lhe asseguraria a estatueta mesmo que Chalamet tenha vencido a maioria das premiações televisionadas. A questão é que o antigo SAG tem divergido da Academia nos últimos anos, com o próprio Chalamet sendo o exemplo mais recente (conquistou o sindicato, mas perdeu o Oscar para Adrien Brody).
Houve também a já tradicional guerra de campanhas, com uma tentativa de cancelamento de Timothée Chalamet após uma fala sobre ópera e balé. Sua imagem pode ter saído chamuscada com a condenação no tribunal da internet, mas as votações já haviam se encerrado. Deu tempo, porém, para Michael B. Jordan se vítima de uma situação embaraçosa enquanto se apresentava, ao lado do colega Delroy Lindo, no BAFTA, importante premiação britânica. Da plateia, John Davidson, portador da Síndrome de Tourette, desferiu ofensas racistas para a dupla que estava no palco, causando um desconforto que gera comentários até hoje.
Quem talvez se beneficie de uma possível divisão de votos entre os dois é Wagner Moura, cuja vitória aqui emergeria com méritos. Ethan Hawke, embora excepcional em Blue Moon, deverá ser um mero espectador privilegiado.
Pela campanha pesada e pelo volume de precursores, tendo a acreditar que Chalamet é a Mikey Madison de 2026, com uma distância ilusória para Jordan e Moura correndo por fora.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vai vencer: Amy Madigan por A Hora do Mal
Deveria vencer: Inga Ibsdotter Lilleaas por Valor Sentimental
Está no páreo: Teyana Taylor por Uma Batalha Após a Outra
Pode surpreender: Wunmi Mosaku por Pecadores
Outra categoria difícil de prever, pois os precursores se dividiram entre Amy Madigan, Teyana Taylor e, mais recentemente, Wunmi Mosaku (Pecadores). Na prática, isso significa que o Oscar deve ficar entre elas, com chances iguais para cada uma. Taylor e Mosaku representam os filmes mais indicados, mas Madigan tem a narrativa a favor. Não esqueçamos que a esposa de Ed Harris quebrou o recorde de maior distância entre indicações (40 anos!). Fora que a performance mais chamativa e emblemática é dela e num sucesso de bilheteria. Um Terror, o gênero queridinho da Academia no momento. Ou seja, vou de Madigan.
MELHOR ATOR COADJUVANTE

Vai vencer: Sean Penn por Uma Batalha Após a Outra
Deveria vencer: Sean Penn por Uma Batalha Após a Outra
Está no páreo: Stellan Skarsgard por Valor Sentimental
Pode surpreender: Jacob Elordi por Frankenstein
Sean Penn preenche quase todos os requisitos de um futuro vencedor do Oscar. Encarna um papel forte que exigiu mudança física, usa maquiagem pesada (mesmo que por pouco tempo) e ganhou o SAG. Ou seja, é a aposta mais segura. Em contrapartida, ele já tem duas estatuetas (ambas de Melhor Ator): Sobre Meninos e Lobos (2004) e Milk: A Voz da Igualdade (2009). Sendo uma personalidade controversa fora das telas, tendo colecionado polêmicas que o afastaram do clube dominante de Hollywood, conseguirá seduzir os votantes a levar seu terceiro Oscar?
Se a resposta for negativa, é Stellan Skarsgard quem toma a frente. Ao contrário de Penn, o sueco foi indicado pela primeira vez (sempre uma tentação para os votantes), é bem quisto na Indústria e até emplacou dois talentosos filhos em Hollywood. Era o favorito natural antes de Uma Batalha Após a Outra estrear e talvez seja a única chance real de Valor Sentimental caso O Agente Secreto vença Melhor Filme Internacional.
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Vai vencer: Uma Batalha Após a Outra
Deveria vencer: Uma Batalha Após a Outra
Pode surpreender: Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Vai vencer: Pecadores
Deveria vencer: Valor Sentimental
Pode surpreender: Valor Sentimental
MELHOR MONTAGEM

Vai vencer: Uma Batalha Após a Outra
Deveria vencer: Marty Supreme
Está no páreo: F1 - O Filme
Pode surpreender: Pecadores
MELHOR FOTOGRAFIA

Vai vencer: Uma Batalha Após a Outra
Deveria vencer: Sonhos de Trem
Está no páreo: Sonhos de Trem
Pode surpreender: Pecadores
Adolpho Veloso já teria nossa simpatia só pelo fato de ser brasileiro, mas, felizmente, seu trabalho em Sonhos de Trem é nada menos do que primoroso, fazendo jus à nossa torcida. Mas o filme, embora presente na categoria principal, só aparece em outras três e esta é onde estão suas melhores chances. Todavia, Uma Batalha Após a Outra foi premiado tanto pelo sindicato estadunidense, quanto pelo britânico e larga em vantagem. Só domingo saberemos se Fotografia fará parte de uma noite dividida ou se refletirá uma lavada. E falar em lavada é falar de Pecadores.
MELHOR ELENCO

Vai vencer: Pecadores
Deveria vencer: O Agente Secreto
Está no páreo: Uma Batalha Após a Outra
Pode surpreender: O Agente Secreto
Novidade desse ano, Melhor Elenco é uma incógnita justamente por não termos precedentes. A estatueta pode ir para o mais indicado (Pecadores), para o possível Melhor Filme (Uma Batalha Após a Outra), para o mais premiado (Pecadores ou Uma Batalha Após a Outra) ou pode também ser um prêmio de consolação (O Agente Secreto). Méritos, os cinco possuem de sobra.
MELHOR ANIMAÇÃO
(LONGA-METRAGEM)

Vai vencer: Guerreiras do K-Pop
Deveria vencer: Zootopia 2
Pode surpreender: Zootopia 2
Estou preparado psicologicamente para a atrocidade que deverá ser cometida nessa categoria. Zootopia 2 além de ser ótimo, tem uma grife poderosa por trás, um sucesso de bilheteria e é a continuação de um vencedor do Oscar. No entanto, nada parece impedir o delírio coletivo Guerreiras do K-Pop de levar uma estatueta para a Netflix. A trama formulaica, repleta de clichês e com o selo (medíocre) de qualidade algorítmica da gigante do streaming, foi relevada em prol de uma trilha sonora vibrante em consonância com as tendências mundiais. Que os deuses do Cinema nos perdoem...
MELHOR FILME INTERNACIONAL

Vai vencer: Valor Sentimental (Noruega)
Deveria vencer: O Agente Secreto (Brasil)
Está no páreo: O Agente Secreto (Brasil)
Pode surpreender: A Voz de Hind Rajab (Tunísia)
Habitualmente a categoria mais sólida, a lista dos indicados a Melhor Filme Internacional costuma ser melhor até do que a de Melhor Filme. Esse ano não é diferente, embora eu goste bem menos de Foi Apenas Um Acidente, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Festival de onde vieram quatro dos cinco nomeados. O Agente Secreto, mais premiado dessa edição, está presente em outros três quesitos, mas tem uma concorrência de peso e que não apresenta o menor sinal de hesitação, elemento crucial para a ascensão de Ainda Estou Aqui rumo ao Oscar em 2025.
Sem um Emília Pérez e com um colosso do quilate de Valor Sentimental, nos resta torcer para que a qualidade inquestionável do longa de Kléber Mendonça Filho conquiste o coração dos votantes. A seu favor está a ótima fase do Cinema Brasileiro, que leva inclusive a comentários ciumentos nas redes sociais, chancelando a onda mundial de benevolência com os grandes filmes que temos produzido especialmente nos últimos anos.
MELHOR DOCUMENTÁRIO
(LONGA-METRAGEM)
Vai vencer: A Vizinha Perfeita
Deveria vencer: The Alabama Solution
Pode surpreender: Come See me In the Good Light
MELHORES EFEITOS VISUAIS

Vai vencer: Avatar - Fogo e Cinzas
Deveria vencer: Avatar - Fogo e Cinzas
Pode surpreender: Qualquer um que não seja Avatar, já será uma surpresa
MELHOR SOM

Vai vencer: F1 - O Filme
Deveria vencer: Sirât
Está no páreo: Pecadores
Pode surpreender: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR TRILHA SONORA

Vai vencer: Pecadores
Deveria vencer: Uma Batalha Após a Outra
Pode surpreender: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Vai vencer: Golden - Guerreiras do K-Pop
Deveria vencer: I Lied to You - Pecadores
Pode supreender: I Lied to You - Pecadores
MELHOR FIGURINO

Vai vencer: Frankenstein
Deveria vencer: Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Está no páreo: Pecadores
Pode surpreender: Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Vai vencer: Frankenstein
Deveria vencer: Frankenstein
Pode surpreender: Pecadores
MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

Vai vencer: Frankenstein
Deveria vencer: A Meia-Irmã Feia
Está no páreo: Uma Batalha Após a Outra
Pode surpreender: Pecadores








