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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Army of The Dead | Snyder volta às origens em filme despretensioso

Tecer elogios a Army of the Dead - Invasão em Las Vegas por suas sequências de ação não significa muito quando lembramos que trata-se de um filme de Zack Snyder, especialista no assunto. Já a atmosfera leve e descolada, longe do peso e da sobriedade que marcaram a filmografia recente do cineasta, é uma bem-vinda surpresa, assim como o seu retorno aos filmes de zumbi, ponto de partida de sua carreira.


Indo não muito além disso, a nova criação de Snyder representa basicamente o respiro aliviado de um realizador finalmente liberto das amarras de um grande estúdio, executado na forma de um longa-metragem que tem no descompromisso sua verdadeira razão de ser. Sim, aqui e ali, é possível notar sua intenção de conectar a nova obra ao mundo contemporâneo, globalizado, dando ao espectador subterfúgios para interpretar sua história como uma metáfora de um governo que usa uma infecção que transforma pessoas em zumbis como uma forma de controlar a população. A velha história dos tiranos que usam o medo para dominar o povo, mas com a roupagem da xenofobia e da crise migratória (aqui há até mesmo uma coiote), tão relevantes na atualidade.


Por outro lado, mesmo que a crítica seja válida (questionamentos são sempre saudáveis, principalmente em produções dessa escala), o discurso soa muito mais como uma homenagem à cartilha de Romero, que sempre usou os zumbis como pano de fundo de reflexões sobre a Sociedade, do que qualquer outra coisa. E não demora muito até que Army of the Dead se concentre em seu objetivo principal, eliminando qualquer suspeita de pretensão.


É nesse ponto que o roteiro, também de autoria de Snyder, passa a se ater ao básico, servindo apenas como desculpa para que o cineasta possa explorar seu talento para construir sequências de ação, que se apresentam muito mais sóbrias do que o habitual (a economia com a câmera lenta chega a ser surpreendente), ainda que tecnicamente competentes e jamais desinteressantes. O oposto, infelizmente, se aplica ao lado "humano", que sofre com subtramas incapazes de saírem do lugar-comum e coadjuvantes presos a caricaturas.


Injetando criatividade com elementos inusitados (o zumbi de capacete, a dinâmica do "reino" zumbi e, claro, o tigre morto-vivo, são apenas alguns exemplos), Army of the Dead é um exercício de gênero bem sucedido em sua missão de propiciar escapismo para uma audiência ainda faminta por tal, embora finalmente (ao menos a maioria fora do Brasil) já vislumbre uma luz no fim desse longo e escuro túnel chamado pandemia.


NOTA 6


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