CRÍTICA | "Star Wars: O Mandaloriano e Grogu"
- Guilherme Cândido

- há 2 dias
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Uma das maiores marcas do planeta, Star Wars é sinônimo de sucesso em diversas mídias para além do Cinema, onde surpreendentemente não passa por boa fase. Ou melhor, não passava, pois a nova produção derivada da franquia criada por George Lucas recupera a credibilidade perdida com os tropeços recentes. Que essa recuperação venha através de uma obra televisiva diz muito sobre o estrago que a Disney causou na imagem de Star Wars, desgastada com inúmeros projetos para TV e Cinema que trocaram a qualidade pela quantidade.
O desastroso final da trilogia sequência já deveria ter servido como um sonoro sinal de alerta para o estúdio, tão inebriado pela ganância que chegou a produzir outras séries e filmes. Dentre toda a produção em escala industrial, a que melhor se saiu foi justamente a primeira empreitada de Star Wars na TV. O Mandaloriano foi lançado sem a obrigação de fazer conexões com a saga Skywalker e se permitiu algumas liberdades estéticas, como o aceno ao faroeste. O protagonista, inédito no cânone, também ofereceu um bem-vindo frescor narrativo, estabelecendo-se como a cereja desse bolo surpreendentemente delicioso.

Portanto, o sucesso deste O Mandaloriano e Grogu não chega a ser um ponto fora da curva, pois reproduz o mesmo padrão de excelência visto nas telinhas. Que esse padrão televisivo seja suficiente para superar com folga qualquer esforço cinematográfico dos últimos sete anos diz muito mais sobre o estado da franquia do que sobre o filme em si.

Afinal, é o próprio idealizador da série quem retorna para salvar o dia uma vez mais. Jon Favreau adota o mesmo estilo conservador que o transformou no porto seguro da Disney após o estouro em Homem de Ferro (2008). O que não significa incompetência, pois Favreau já provou mais de uma vez saber dirigir sequências de ação e, para sua sorte, há umas duas ou três realmente muito boas, mesmo que o parâmetro comparativo seja o da Televisão. Aliás, quem estiver esperando um filme-evento, está fadado a se decepcionar, já que a impressão desde o primeiro minuto é a de estar diante de um episódio mais longo e caro de The Mandalorian, o que não deve representar um problema para os fãs do seriado.

Honestamente, até quem jamais assistiu às aventuras de Mando estará vulnerável aos encantos galáticos conjurados por Jon Favreau. O ritmo é suficientemente acelerado, a ação empolga e os personagens são mais do que carismáticos. Ingredientes perfeitos de uma receita preparada sob medida para render duas horas e doze minutos de um entretenimento que não demonstra o menor pudor em se assumir escapista.

O destaque, além da participação do fofíssimo Grogu (que deve ganhar mais admiradores e vender muitos bonecos), fica por conta da trilha sonora de Ludwig Göransson, três vezes vencedor do Oscar (o mais recente esse ano, por Pecadores), e compositor original da série, pela qual levou dois Emmys. O sueco não se limita às fanfarras tradicionais, adicionando sintetizadores e até um tema agudo que remete diretamente aos faroestes clássicos, indo ao encontro da proposta narrativa. Outro ponto positivo surge apenas nos créditos finais, com a Disney enfim reconhecendo os intérpretes do personagem-título, já que o astro Pedro Pascal mais dubla do que aparece.

E quem resolver aparecer nos cinemas para conferir a nova aventura de Star Wars deve ficar satisfeito com o retorno da franquia à boa forma. E se está ainda não está à altura dos padrões consagrados no passado, ao menos justifica uma nova esperança de ver a marca no topo novamente.
NOTA 6,5









