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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Crimes em Happytime" satiriza o noir com humor rico em potencial e escatologia

Atualizado: 25 de jul. de 2022

Phil Phillips é um ex-policial que agora atua como investigador particular. Vivendo numa Los Angeles marcada pelo preconceito, ele é envolvido numa trama diabólica marcada pelo assassinato de vários semelhantes. Agora, para solucionar esse caso, Phillips precisa se aliar à sua ex-parceira, ao mesmo tempo em que deve resistir às investidas de sua nova e enigmática cliente. Poderia ser a sinopse de um clássico noir sobre intolerância. E de certa forma é, mas os segregados, nesse caso, são fantoches. Bem-vindos a Crimes em Happytime.


Brian Henson, filho de Jim Henson, o criador dos Muppets, comanda uma narrativa que tem orgulho de ostentar cada característica do noir: estão lá o protagonista auto destrutivo e marcado por um erro do passado, a narração em off, a femme fatale e as indefectíveis reviravoltas. Mais do que isso, Henson consegue emular a típica atmosfera conspiratória desse tipo de película.


Essa mistura de atores reais com fantoches faz bem ao roteiro, que ao estabelecer o tom satírico, passa a se permitir toda a sorte de piadas politicamente incorretas envolvendo bonecos fumando, falando palavrões ou até mesmo transando. E mesmo que a produção fique marcada pelo impacto do mau gosto de determinadas sequências (como a ejaculação incontrolável de um fantoche) é inegável a eficiência do roteiro no tocante ao encaixe de gags. Quando não está apelando para o escatológico, Crimes em Happytime funciona como uma explosiva mistura de O Falcão Maltês e Ted.


O problema é que o humor nem sempre funciona. Por mais inventiva que seja a ideia de imaginar um fantoche cheirando açúcar ou urinando purpurina, a simples troca de insultos deixa de divertir depois da terceira tentativa. Na verdade, ver Melissa McCarthy disparando palavrões já deixou de ser divertido há tempos, e isso não muda com um interlocutor de pelúcia. Por outro lado, não deixa de ser divertido notar como Joel McHale vem se especializando em interpretar babacas.


Essa pobreza na elaboração de diálogos é o que impossibilita Crimes em Happytime de deixar o campo da comédia rasteira, o que não deixa de ser uma pena quando nos deparamos com tanto potencial. Aliás, não há sequer a intenção de se aprofundar nos inúmeros subtextos que são apenas jogados na tela.


Há o astro felpudo que usa água sanitária para ficar mais claro, há o pedantismo e vaidade desmedida do mundo das celebridades da TV e há, principalmente, a perseguição contra uma minoria. Ora, nem mesmo essa óbvia metáfora atraiu Henson e o roteirista Todd Berger, que preferiram abrir espaço para trocadilhos com bolas e uma tola gag recorrente envolvendo a pergunta “o babaca disse o quê”.


Aqui e ali surgem referências inspiradas, como aquela que brinca com a famosa cruzada de pernas de Sharon Stone em Instinto Selvagem e outra sobre o assassino Charles Manson, mas é a sequência que mostra uma vaca e um polvo durante a gravação de um filme pornô (fantoche ainda por cima) que dificilmente sairá da cabeça do espectador por um bom tempo…


Eficaz como paródia policial e irregular em suas tentativas de provocar gargalhadas, Crimes em Happytime deixa a indigesta sensação de algo feito pela metade, como uma oportunidade cujo potencial não foi explorado por completo. Isso, porém, é muito menos impactante do que a imagem de uma vaca sendo ordenhada por um polvo. Obrigado por essa lembrança, Brian Henson…


Obs: Durante os créditos há uma sequência que mostra como os fantoches foram manuseados nas filmagens.


NOTA 5

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