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CRÍTICA | "Iron Lung - Oceano de Sangue"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

O Cinema é uma Arte coletiva, mas quando parte da paixão de uma única pessoa, a tendência é o resultado impressionar, para o bem e para o mal. Com milhões de inscritos em seu canal no YouTube, Mark Fischbach ou Markiplier, como se apresenta, ganhou fama jogando Iron Lung, um game independente de terror do qual nunca escondeu seu amor. Tanto que resolveu ele mesmo adaptá-lo para as telonas. Após obter a benção do criador do projeto, o norte-americano David Szymanski, Fischbach percorreu pessoalmente a Via Crucis que é fazer um filme e levá-lo ao público. Tendo produzido, escrito, dirigido, montado e protagonizado, Markiplier merece todos os aplausos pela coragem em correr atrás dos próprios sonhos, mas seu projeto é apenas mais uma adaptação de videogame a naufragar.


A falta de experiência fica palpável em quase todas as áreas no qual o YouTuber se envolve. O roteiro traz equívocos típicos de marinheiros de primeira viagem, como ao ignorar o preceito básico “não conte, mostre”, acarretando numa verborragia expositiva e, em última análise, desinteressante. Como não joguei Iron Lung, não estou em posição de julgar a fidelidade ao material de origem, mas se a experiência de jogar estiver próxima daquela que temos assistindo, confesso não entender o apelo desse empreendimento.

Markiplier confunde mistério com falta de substância. Não me refiro à complexidade narrativa ou densidade dramática, mas o simples ato de criar mais do que um fiapo de história. Dizer que estrelas e planetas entraram em colapso, bem como grande parte da raça humana é pouco. Afinal, porque deveríamos nos importar com Simon? Sabemos que ele é um prisioneiro embarcando numa missão para conseguir a tão sonhada liberdade, mas e daí? Fischbach até rascunha um acidente para provocar a consciência do sujeito, mas, de novo, insuficiente para nos importarmos.

Como jamais vemos a real ameaça, depende-se demais de personagem/intérprete para transmitir os riscos ao espectador. E quando temos um não-ator, a situação beira a catástrofe. O artista multitarefa limita-se a investir em pequenas mudanças de expressão, desconhecendo a Arte da nuance. Incapaz de dar algum subtexto, ou mesmo algum peso, Fischbach passa a depender da própria direção para compensar o vazio emocional com algum estímulo sensorial, novamente sem êxito.

O ritmo irregular, faz o filme soar arrastado em alguns momentos e simplesmente estagnado em tantos outros. Não há material sequer para um curta-metragem, ainda que certamente seria menos desagradável ser exposto a esse grau de languidez por pouco tempo. Nem o design de produção se salva, pois é prejudicado pela paleta excessivamente escura da fotografia, além de investir em cenários simplórios. O tal submarino, cujo apelido dá título ao filme, é apenas uma desculpa para converter a narrativa num “filme de câmara”, chancelando os recursos limitados. Sobra ao diretor/produtor/roteirista/protagonista, apelar para alguns artifícios com o intuito de manter o público desperto, mas tudo o que consegue fazer é replicar clichês, como ao sugerir (sem fundamento ou consequências) que Simon está tendo alucinações. Aliás, verdade seja dita, há uma sequência provavelmente inspirada no Evil Dead de Sam Raimi, mas só essa menção já pega mal para Iron Lung em comparação.

Enfadonho, tecnicamente pobre, dramaticamente inerte e com potencial inexistente para o entretenimento, Iron Lung - Oceano de Sangue prova que às vezes é preciso mais do que força de vontade. Um pouco de know how e criatividade sempre fazem bem e se Mark Fischbach realmente quiser enveredar para o Cinema, que tenha aprendido a lição.


NOTA 3

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