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CRÍTICA | "Mestres do Universo"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

A estética sombria e realista está morta há bastante tempo. Transformada em modelo de sucesso após a masterclass dada pelos irmãos Nolan no já clássico Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), essa onda durou pouco apesar de ter influenciado uma parcela considerável de franquias pelo caminho (de Superman a Homem-Aranha, passando até por Power Rangers). Aos poucos, o oposto começou a tomar conta da Indústria, já saturada, e um dos grandes responsáveis por essa mudança tonal foi James Gunn com seu bem-sucedido Guardiões da Galáxia (Ironicamente, foi ele também o responsável por recolocar o Homem de Aço de volta aos trilhos coloridos e leves). Guardiões da Galáxia, inclusive parece ter sido a maior inspiração da Mattel nessa reimaginação de Mestres do Universo conduzida em parceria com a Amazon/MGM.


Isso porque o universo concebido pelo cineasta Travis Knight (da excelente animação Kubo e as Cordas Mágicas) abraça a cafonice dos anos 80 ao retratar He-Man da forma mais fiel possível. E se a produção não alça voos maiores é porque o próprio Knight parece inseguro, demonstrando certa vergonha dessa abordagem extravagante aos olhos e ouvidos. O roteiro escrito a oito mãos (sempre um sinal preocupante) inclui uma piscadela para o público a cada conceito apresentado, como se tivesse consciência do quão ridícula a história pode soar. Infelizmente, essa tiração de sarro generalizada elimina qualquer peso que a narrativa pudesse ter e atrapalha o já engessado modelo de história de origem utilizado para apresentar o Príncipe Adam às novas gerações.

Nicholas Galitzine acaba sendo o principal afetado nessa galhofa toda, preso a um tipo de personagem cuja composição demandada é impactada diretamente pelo excesso de piadas. Dessa forma, abre-se uma brecha para outro lhe roubar a cena e quem aproveita a oportunidade é Jared Leto, finalmente voltando a acertar em cheio após uma série de fracassos recentes (Mansão Mal-Assombrada e Morbius são os mais marcantes). Seu personagem, o vilão Esqueleto, é fruto de uma composição afetadíssima e, de todo o elenco, a mais próxima da proposta narrativa.

Já do ponto de vista técnico, as sequências de ação são competentes e empolgam, pois Travis Knight toma a decisão correta de não pesar a mão nos combates, permitindo que as coreografias e os satisfatórios efeitos visuais brilhem por si só. No entanto, o destaque fica por conta da trilha sonora do britânico Daniel Pemberton, outro profissional a se redimir de um equívoco recente (no caso dele, o bom Devorados de Estrelas). Os temas grandiosos e com forte presença de guitarras (fruto da parceria com Brian May, do Queen) é outro ponto de confluência com a proposta do filme.

Quem esperava uma bomba tem tudo para se surpreender, pois apesar dos objetivos modestos (ainda que honestos e legítimos) e do excesso de escárnio, Mestres do Universo oferece uma experiência leve, colorida e nostálgica, com altíssimo potencial para agradar a quem cresceu assistindo o desenho clássico.


Observação: Há três cenas adicionais.


NOTA 6,5

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