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CRÍTICA | "Para Sempre Medo"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Uma cabana no meio da floresta às vezes é tudo o que você precisa para fazer um bom filme de terror. Exemplos não faltam e Osgood Perkins parece ter feito bom proveito deles. Filho de Anthony Perkins, lendário vilão de Psicose (1960), o diretor vem se estabelecendo nos últimos anos como um dos expoentes do Terror Moderno. O filme que de fato catapultou a carreira do estadunidense, no entanto, mal completou dois anos. Em Longlegs, ele contou com um inspiradíssimo Nicolas Cage para chamar a atenção da indústria, colocando o astro vencedor do Oscar no papel de um serial killer. Para encontrar outro longa-metragem digno de nota em sua carreira, deve-se procurar mais a fundo, especificamente em 2020, quando Maria e João: O Conto das Bruxas descortinava os talentos do diretor para a criação de atmosferas carregadas. Outro elemento bem administrado é a estética gótica, geralmente utilizada para sedimentar o ar onírico que suas obras possuem. Para Sempre Medo, ou Keeper, no original, absorve um pouco de cada característica dos acertos supracitados, mas acaba ficando aquém de ambos.

A história, concebida pelo mesmo Nick Lepard do fraco Animais Perigosos, segue de perto o casal Liz (Tatiana Maslany) e Malcolm (Rossif Sutherland), que resolve comemorar o aniversário de um ano de namoro passando um final de semana na cabana da família dele. Não bastasse a localização "privilegiada" no meio de uma floresta remota, com um rio e uma estrada de terra entrecortando o território desabitado, a casa de madeira ainda é mal-assombrada, claro, mas não exatamente do jeito clássico.

Contar mais estragaria o mistério, que por sua vez é adiado por Osgood Perkins enquanto nos distrai com suas habilidades para provocar sustos e arrepios. Pegando carona na mitologia folk para se banquetear no horror, o cineasta se beneficia imensamente do ótimo design das tais criaturas, sabendo o momento certo de revelá-las. Fazendo jus à fama de criar pesadelos, ele sustenta o clima de suspense por tempo suficiente para que não percebamos os problemas que surgem no roteiro.

Afinal, por mais eficiente que Keeper seja como terror, há uma clara intenção de se aprofundar num conceito maior, a construção de um discurso, algo que tem tomado de assalto as produções do gênero. Portanto, não basta aterrorizar, é preciso dar um significado ou, pelo menos, transformar o Terror numa alegoria para algo mais abstrato.

Entra em cena a ambição um tanto quanto difusa do roteirista, que no afã de provocar reflexões a respeito dos relacionamentos, abre demais o escopo, atirando para todos os lados em pautas invariavelmente tangenciais a um namoro. É quando um primo inconveniente resolve dar o ar da graça, invadindo um espaço previamente estabelecido como terror. O resultado atrapalha e gera mais perguntas do que respostas.

Pois, ainda que sejamos condescendentes para com o texto, há uma clara dificuldade em costurar a alegoria com o restante da narrativa, que definitivamente não consegue se decidir, resultando num meio-termo entre um filme-alegórico e um filme de gênero. Felizmente para Perkins e Lepard, há uma Tatiane Maslany equilibrando pratos no meio disso tudo. Assim como supervalorizou o medíocre O Macaco (2025) e salvou O Que Te Faz Mais Forte (2017), a canadense entrega-se de corpo e alma e acaba compelindo o espectador a embarcar ao seu lado.

É por causa dela que quase esquecemos o segundo ato mais trivial e tendemos a nos lembrar da forte conclusão, gerando uma reação mista, ainda que contaminada pelo tom satisfatório de finalmente recebermos as respostas para nossas perguntas.


NOTA 5,5

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