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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Hobbs & Shaw resgata inocência perdida em Velozes e Furiosos

Atualizado: 16 de jul. de 2022

Se há uma certeza que esse derivado tem a oferecer é a de que a franquia Velozes e Furiosos poderia estar muito melhor caso seus produtores escolhessem o careca bombado certo para protagonizá-la.


Evidentemente, Hobbs & Shaw herda toda a estupidez e a insegurança masculina enrustida de sua original, mas é capaz de misturá-lo a um senso de autoconsciência que blinda com honestidade e até um certo grau de deboche todas as suas fraquezas mais óbvias. A partir do momento em que vemos o vilão do filme se apresentar (literalmente) como “o vilão”, fica difícil não embarcar nessa aventura que em momento nenhum demonstra qualquer intenção de se levar a sério.


Tudo é (exatamente) tão simples como parece e não há espaço para meios-termos. Os vilões agem como vilões e apanham dos mocinhos que... agem como mocinhos. A ideia é não explicar demais. Ou melhor, não precisar explicar. Afinal, estamos falando de uma história cujo antagonista é um ser humano genética e fisicamente modificado que pilota uma moto capaz de se transformar num skate; e protagonizada por um homem anabolizado de quase dois metros de altura que quando procurado internacionalmente consegue passar despercebido por aeroportos simplesmente ao deixar a barba por fazer e usar boina e óculos escuros.


Tudo isso numa embalagem que recicla a boa e velha dinâmica dos parceiros que se odeiam, mas que precisam trabalhar juntos em prol do bem-maior. Jason Statham, mais canastrão do que nunca, está confortável em seu terno italiano distribuindo catiripapos no melhor estilo Carga Explosiva enquanto The Rock exala todo o seu carisma em mais uma performance que emula o grandalhão boa praça. Diante de tantas qualidades já conhecidas, talvez o grande destaque da produção fique por conta de Vanessa Kirby, que aproveita a oportunidade para mostrar sua faceta como heroína de ação.


Assim como não há vergonha de assumir-se como o entretenimento escapista que é, também não esconde seu desapego aos efeitos práticos, o que não deixa de ser uma pena, pois a megalomania das sequências de ação certamente ficaria mais impressionante, para aqueles já acostumados ao festival de CGI de Hollywood.


Em suma, soa menos ofensivo do que sua franquia-mãe e seu desprendimento narrativo quase anárquico tenderá a atrair, pelo menos, a simpatia dos mais exigentes. Pode não parecer muito, mas também pode vir a ser uma bela receita de suce$$o.


NOTA 7


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