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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"O Caravaggio Roubado" se enrola com trama mirabolante

Datada de 1609, a obra La Natività, de Caravaggio, estava exposta numa capela de Palermo, na Itália, até ser roubada em 1969. Mesmo com uma vasta lista de suspeitos, o crime jamais foi solucionado e a pintura permanece desaparecida até hoje. Inspirando vários filmes ao redor do mundo, o caso acaba de ganhar uma versão “caseira” com O Caravaggio Roubado (ou Una Storia Senza Nome, no original).


Na trama, escrita e dirigida por Roberto Andò (As Confissões), Valeria (Micaela Ramazotti) é a secretária de um poderoso produtor de Cinema que atua como escritora fantasma de um famoso roteirista nas horas vagas. Um dia, ela recebe uma ligação misteriosa de alguém pronto para contar uma história perfeita para ser levada às telas: a do famigerado Caravaggio roubado.


Ora satírico, ora partidário do suspense, o roteiro de Andò se equilibra com extrema dificuldade, logrando êxito pleno apenas no tom farsesco de sua história, que oportuniza o humor e gera um clima agradável. O Caravaggio Roubado sempre funciona melhor quando flerta com a caricatura, divertindo com o dúbio personagem gago ou a versão idosa de O Santo.


Sem se preocupar em dar maiores explicações sobre seus personagens, o filme mergulha de cabeça na embalagem barroca corroborada pela fotografia, adotando uma trilha sinfônica que confere uma atmosfera erudita à narrativa. Por outro lado as redundâncias do script menosprezam a inteligência do espectador, como ao apresentar breves flashbacks ao final, assegurando que as reviravoltas sejam devidamente entendidas.


Reservando algumas reviravoltas previsíveis e outras completamente desnecessárias, a história se permite ainda pequenas provocações ao mundo cinematográfico, como ao colocar um personagem afirmando “detestar” o cineasta dinamarquês Lars Von Trier ou ao exibir, no escritório de um personagem, um imenso letreiro luminoso com a frase “O Cinema é uma invenção sem futuro” de Louis Lumière.


O elenco é encabeçado por uma Valeria Ramazotti irreconhecível, encarnando uma espécie de versão italiana de Jamie Lee Curtis ao surgir de cabelos curtos e emulando trejeitos da atriz americana em True Lies. Enquanto isso, o veterano Renato Carpentieri demonstra estar se divertindo na pele de um super policial que mais parece um espião. Já Alessandro Gassman (vilão principal de Carga Explosiva 2) é pouco aproveitado pelo roteiro, mas aproveita cada segundo de tela com seu charme habitual.


Escorregando feio no suspense (note o mistério bobo com uma câmera escondida no clímax), mas compensando com uma trama rocambolesca que, se não chega a provocar gargalhadas, ao menos deve servir para arrancar sorrisos do espectador. Pode não parecer muito, mas pelo menos não representa um embaraço.


NOTA 6

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