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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Visual apurado e boas ideias não salvam Chappie de seus clichês

Atualizado: 15 de jul. de 2022

Escrito e dirigido pelo cineasta sul-africano Neill Blomkamp (que despontou em 2009 com o ótimo Distrito 9), Chappie se passa na África do Sul, num futuro onde a criminalidade foi consideravelmente reduzida graças à substituição de policiais humanos por robôs. Mas o ambicioso criador deles, o jovem engenheiro Deon (vivido por Dev Patel, de Quem Quer Ser Um Milionário?) sonha em fazer com que suas criações possam pensar e ter emoções. E quando finalmente consegue criar uma inteligência artificial capaz disso (o robô do título, vivido por Sharlto Copley através da captura de movimentos), Deon é roubado e vê sua tecnologia cair em mãos erradas. Paralelamente a isso está o inescrupuloso Vincent (Hugh Jackman) que só pensa em viabilizar seu próprio projeto robótico.


Como dá pra perceber, a história é simples e certamente resultaria num projeto mais eficiente se Blomkamp tivesse alguma idéia da que iria contar. Pois a verdade é que ele sequer é capaz de decidir o tom da narrativa, que salta de subtrama a subtrama sem o menor cuidado ou o mínimo de desenvolvimento. O aprendizado do robô, que renderia um filme mais interessante se desenvolvido com mais cuidado, é breve demais e provoca inúmeros furos. Ora, como Chappie pode ser capaz de conversar com um humano se poucos momentos atrás estava aprendendo sua primeira palavra? E como é possível ter uma visão tão clara do mundo se ele mal saía para ter contato com outras pessoas?


E se as subtramas frustram por apresentarem ideias jamais desenvolvidas adequadamente, o mesmo não pode ser dito da parte técnica do filme que preza pela excelência desde a competente direção de arte, que cria um universo triste graças às cores frias e aos ambientes quase sempre sem vida, passando pela fotografia dessaturada (marca registrada de Blomkamp) e finalmente pelos ótimos efeitos visuais.


A ação é bem orquestrada, embora aqui e ali peque no uso gratuito da câmera lenta. O robô-título representa mais um acerto, com destaque para seu design simples, mas realista. E por falar nele, Chappie é um triunfo técnico inquestionável. Com movimentos fluidos, e visual extremamente realista, o robô jamais deixa de convencer, além de nos permitir acompanhar todo o trabalho de Sharlto Copley em seus movimentos e em sua voz.


O restante do elenco, por outro lado, não tem muito o que fazer, geralmente limitado a figuras unidimensionais. Sigourney Weaver, por exemplo, está presa ao velho estereótipo da executiva fria e calculista. Dev Patel, um ator normalmente fraco, até tenta conferir intensidade ao seu Deon, mas é prejudicado pelo roteiro ao ser obrigado a lidar com diálogos ridículos que mais parecem saídos de um livro de autoajuda. E o que dizer de Hugh Jackman, um ator talentoso e de renome que aqui é relegado ao papel de um legítimo clichê ambulante? Os novatos Ninja e Yo-Landi Visser também decepcionam, especialmente Yo-Landi e sua voz particularmente irritante.


Já Hans Zimmer pouco inova, se limitando a criar uma trilha sonora discreta e genérica que nem de longe lembra seus memoráveis trabalhos anteriores.


No final das contas, Chappie oferece uma experiência repleta de altos e baixos, o que pode colocar em xeque o futuro de seu diretor em Hollywood.


NOTA: 5,5

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