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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

"Viveiro" usa clima de estranheza para manter espectador envolvido

O estadunidense sempre cultivou uma relação complexa com o subúrbio, objeto quase obsessivo de estudo que já gerou um número assustador de obras dos mais diversos segmentos. A Indústria cinematográfica, claro, não é indiferente, e transformou o típico subúrbio norte-americano num verdadeiro subgênero, concebendo histórias geralmente inclinadas para o terror e sempre com fartas doses de mistério. É o caso, por exemplo, do recente Suburbicon – Bem Vindos ao Paraíso, onde George Clooney explorou a hipocrisia norte-americana. Embora o terror não seja exatamente a tônica do roteiro de Viveiro, o mistério acaba sendo sua maior atração, já que não demora muito até o discurso pouco sutil sobre a vida suburbana descambar para a redundância.


A trama acompanha o jovem casal vivido por Jesse Eisenberg (Zumbilândia – Atire Duas Vezes) e Imogen Poots (Meu Pai), que ao procurarem o lugar perfeito para morarem, encontram um bairro misterioso, cuidadosamente planejado e repleto de casas idênticas. Em contato com o estranho corretor que os levou até lá, os dois não demoram a perceber que estão presos numa espécie de labirinto sem fim.


Se a ideia inicial de criar uma metáfora para criticar as idiossincrasias da família suburbana soa interessante como ponto de partida, perde o fôlego durante seu desenvolvimento. Aliás, o deslumbramento com as possibilidades estéticas oferecidas pela história, parecem ter sido suficientes para o cineasta Lorcan Finnegan (Without Name), que se limita a tentar emular o estilo do cineasta grego Yorgos Lanthimos (de obras igualmente peculiares, como O Lagosta e O Sacrifício do Cervo Sagrado), com direito a trilha sonora similar às produções citadas anteriormente.


No mais, a aura de mistério, intrigante no início, revela-se uma forma de esconder a falta de profundidade da história, o que fica patente à medida que a trama se estica enquanto anda em círculos como seus protagonistas. Há uma tentativa de tecer comentários ácidos sobre a rotina da típica família suburbana e o comodismo consequente, mas que empalidece diante do que foi feito em filmes similares (incluindo Suburbicon, citado no início desse texto).

Em relação ao elenco, Eisenberg e Poots, atores talentosos e normalmente carismáticos, fazem o que podem com seus arquétipos, agarrando-se à química que exibem em cena. Já a parte técnica é o grande destaque da obra, que ilustra bem a perfeição sintética do bairro mostrado, pecando apenas nas tomadas aéreas, que denunciam toda a artificialidade da locação.


A ausência de respostas imediatas, que pode parecer um artifício barato para manter a testa do espectador sempre franzida, é na verdade, fruto da superficialidade por trás do material escrito por Garret Shanley a partir de uma ideia do próprio diretor, muito mais interessado no estilo do que em sedimentar suas reflexões.


Voltando a despertar algum interesse em seus minutos finais, quando finalmente resolve tentar fazer algum sentido, Viveiro não chega a ser uma perda de tempo, mas tampouco se atreve a provocar mais do que um franzir de testa.


Fico imaginando o resultado final, caso Yorgos Lanthimos de fato tivesse dirigido o filme, ao invés de ter sido apenas “homenageado”...


NOTA 6


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