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CRÍTICA | "A Cronologia da Água"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 30 minutos
  • 2 min de leitura

*Crítica originalmente publicada durante o Festival do Rio 2025


Para aqueles limitados ao Cinema hollywoodiano, Kristen Stewart dificilmente conseguirá deixar para trás os embaraçosos tempos como a Bella Swan de Crepúsculo (2008). Um tropeço como intérprete, mas não financeiramente, claro. O fracasso é apenas um ponto de vista quando analisamos a carreira de uma artista como Stewart, destemida a ponto de ignorar o escrutínio público. Podemos questionar suas escolhas artísticas, mas não a coragem para arriscar, algo que tem feito desde que foi aceita no clube de Hollywood, cuja areia movediça, sugando para a zona de conforto do dinheiro e do glamour, a atriz sempre foi hábil em tangenciar.


Por isso, é natural que um projeto tão desafiador como este A Cronologia da Água  tenha atraído sua atenção. E como se não bastasse retratar os traumas vividos por uma adolescente aspirante a nadadora profissional, Stewart decide fazê-lo como diretora dessa vez.

Estreando na função, ela inicialmente demonstra o mesmo deslumbre típico de novatos, empregando praticamente todos os recursos visuais disponíveis, mesmo que nem sempre agregando à narrativa. E é justamente quando acerta, que o filme se torna mais fascinante, com nuances sugeridas por escolhas que envolvem desde a fotografia até os cortes da montagem.

Mas se, por um lado, é especialmente eficaz ao retratar os tumultos internos da protagonista vivida com entrega absoluta pela jovem Imogen Poots (Viveiro), que Stewart resgata de Hollywood, por outro, se distrai com as possibilidades oferecidas pelo roteiro que escreveu ao lado de Andy Mingo a partir das memórias de Lidia Yuknavitch, que encontrou na escrita uma forma de superar um passado conturbado. Embora este que vos escreve se considere um defensor das cenas de sexo no audiovisual, não é agradável constatar uma certa fetichização por parte da produção, que em determinados momentos mais parece interessada por sua vocação erótica do que pelo seu potencial dramático.

Kristen Stewart dirige interpretações superlativas também do elenco secundário, que inclui atores experientes como Thora Birch (a eterna Jane de Beleza Americana) e James Belushi numa rara e memorável participação especial como Ken Kesey, célebre autor de Um Estranho no Ninho.

O destaque, por outro lado, não poderia ser outro senão Poots, uma intérprete habilidosa e sempre esforçada, que atinge o ápice da carreira num papel cujas dificuldades jamais enfrentou. Ela protagoniza sequências com forte teor sexual, mas é o drama no qual sua personagem está imersa, que deveriam causar mais impacto. Em alguns momentos, A Cronologia da Água é o veículo perfeito para levar uma artista segura e talentosa a um novo patamar pronto para ser desbravado. Em outros, um exercício estilístico que limita o potencial de sua narrativa. Não deixa de ser um debute forte, com personalidade e técnica, um espelho de Kristen Stewart, portanto.


NOTA 6,5

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