

CRÍTICA | "Feito Pipa"
Enquanto a Indústria hollywoodiana segue tratando a memória tal qual commodity, um mero subterfúgio para explorar a nostalgia do público (com raríssimas exceções), o Cinema Brasileiro tem trilhado um caminho diferente, utilizando-a como um dispositivo a serviço da narrativa (com raríssimas exceções). Foi assim com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto (vencedor e indicado ao Oscar, respectivamente), por exemplo. Em Feito Pipa (postulante ao Oscar), isso ganha contornos quase li
Guilherme Cândido
há 2 dias3 min de leitura


CRÍTICA | "Cartório das Almas"
O pós-vida segue despertando a curiosidade da humanidade e o Cinema espelha esse fascínio milenar através de obras marcantes ao longo das décadas. Se a continuidade da existência gera dúvida, a finitude é uma das poucas certezas que temos e é justamente a união desses questionamentos que sedimenta a premissa de Cartório das Almas, vencedor de dois candangos no Festival de Brasília 2023. O diretor e roteirista Leo Bello usa o Além para investigar o que nos move em vida. Bello
Guilherme Cândido
há 5 dias3 min de leitura


CRÍTICA | "100 Dias"
*Crítica publicada como parte da cobertura do Festival do Rio 2026 Mais conhecido como diretor de animações de sucesso internacional tais como A Era do Gelo (2002), Robôs (2005), Rio (2011) e O Touro Ferdinando (2017), pelo qual foi indicado ao Oscar, o brasileiro Carlos Saldanha já havia dirigido seu primeiro longa-metragem live-action em 2024 (Harold e o Lápis Mágico) e parece decidido a continuar explorando esse território. Falando em explorar, sua segunda empreitada dirig
Guilherme Cândido
há 6 dias2 min de leitura


CRÍTICA | "Cara-de-Barro"
Quando o chefão da Marvel anunciou Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura como o primeiro filme de terror do estúdio subsidiário da Disney, muitos embarcaram na ideia, principalmente aqueles fãs que não assistem a filmes que não sejam blockbusters de super-heróis. Porém, nem a contratação de Sam Raimi foi o suficiente para que o estúdio tivesse coragem o bastante de tornar aquele anúncio verdadeiro. Essa foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando Cara de Barro foi al
Guilherme Cândido
21 de out.3 min de leitura


CRÍTICA | "No Limite da Justiça"
Somente em 1965 os afro-americanos conquistaram o direito formal ao voto, garantia assinada pelo então presidente Lyndon B. Johnson após efusivos protestos de Martin Luther King, mas isso não impediu alguns estados (onze, para ser mais específico) de exigirem o pagamento de uma taxa, com a intenção velada de manter a empobrecida comunidade negra fora das eleições. No meio dessa confusão racista, surgiu Vernon Dahmer, um comerciante bem-sucedido do Mississipi que também atuava
Guilherme Cândido
15 de set.3 min de leitura


CRÍTICA | "Pressão"
No Cinema, já vimos e ouvimos diversas histórias sobre a Segunda Guerra Mundial. Reconstituições de relatos envolvendo o heroísmo de soldados, claro, mas também o papel crucial de profissionais da medicina, da comunicação, dos transportes, das artes, dos correios, entre outros, na única tarefa de ajudar a derrotar o regime nazista. No entanto, eu lhe desafio a apontar ao menos uma produção que tenha mostrado como a meteorologia também foi importante para vencer a Guerra. E se
Guilherme Cândido
4 de set.3 min de leitura


CRÍTICA | "Ponto Sem Retorno"
Recentemente, numa entrevista para o The Times of London, Ridley Scott bradou ser um cineasta que “jamais se repete”. Talvez, mas repete o que se tornou convencional, o que acaba gerando contradição quando ele se diz também ser um realizador a frente do seu tempo, um “influencer”, mas não do tipo que faz sucesso nas redes e, sim, do que provoca tendências ou é “repetido” por outros, para ficar num termo que ele gostou de usar. O britânico sempre foi chegado a aspas fortes,
Guilherme Cândido
25 de ago.3 min de leitura


CRÍTICA | "A Morte de Robin Hood"
Durante a ausência de Ricardo Coração de Leão, que partiu para lutar na Terceira Cruzada (1189-1192), um carismático fora-da-lei chamado Robin Hood se destacou por seus feitos nobres, desafiando um sistema corrupto e tirânico. Ao lado de companheiros célebres como João Pequeno e Frei Tuck, Robin realizava pequenos assaltos e saques, sempre seguindo a ideologia de roubar dos ricos para dar aos pobres. Escondido na floresta de Sherwood, onde cantava e dançava com os fracos e op
Guilherme Cândido
13 de ago.4 min de leitura


CRÍTICA | "Herança de Narcisa"
Uma mulher sozinha numa mansão envelhecida onde eventos estranhos acontecem. É um tropo clássico de filme de terror, mas que não é fortemente abraçado por Clarissa Appelt e Daniel Dias, parceiros de roteiro e direção deste Herança de Narcisa, longa-metragem que passou pelo Festival do Rio 2025 e chega aos cinemas impulsionado por uma força motriz chamada Paolla Oliveira. Ela interpreta Ana, que resolve passar uns dias na antiga casa de infância para fazer uma limpeza comple
Guilherme Cândido
8 de jul.2 min de leitura


CRÍTICA | "O Convite"
Muitos conheceram Olivia Wilde como a Thirteen da série médica House (2004-2012), a mais vista do planeta por duas temporadas consecutivas. Outros tantos acompanharam sua ascensão frustrada ao Cinema, quando embarcou numa sequência de fracassos que inclui Cowboys e Aliens, Eu Queria Ter a Sua Vida e O Preço do Amanhã. O fato de os três estrearem em sequência no ano de 2011 foi a cereja mórbida do bolo azarado preparado pela atriz novaiorquina. Felizmente, esse período prolífi
Guilherme Cândido
7 de jul.5 min de leitura


CRÍTICA | "Franz"
*Crítica publicada durante a cobertura do Festival do Rio 2025 Como muitos pensadores brilhantes, Kafka só alcançou relevância mundial após a morte, parte inexpugnável da vida que tradicionalmente desperta a curiosidade do público sobre a obra do falecido, especialmente se este foi um artista. E como um artista, das palavras e do pensamento, o tcheco não poderia ser menos exótico e antissocial, características que distanciavam potenciais admiradores, mas que servem como atrib
Guilherme Cândido
1 de jul.2 min de leitura


CRÍTICA | "Alpha"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Depois de chocar o mundo do Cinema ao se tornar a segunda mulher a levar a Palma de Ouro, Julia Ducournau, claro, recebe todos os holofotes possíveis no lançamento de seu filme seguinte, este Alpha, com o qual competiu pelo bicampeonato em Cannes. Além do triste componente machista, sua vitória ainda contou com o bônus pelo tipo de filme que dirigiu, o singular Titane (2021). Trabalhando uma rica sucessão de alegorias surreais
Guilherme Cândido
3 de jun.2 min de leitura


CRÍTICA | "Natal Amargo"
A comunidade cinéfila cultiva uma tradição quase secular de reclamar (geralmente com razão) dos títulos nacionais atribuídos a produções estrangeiras. Escolhas, no mínimo, inusitadas feitas pelo departamento de marketing das grandes distribuidoras que rendem artigos revoltados até hoje. Afinal, como não se indignar ao ver Persona (1966), obra-prima de Ingmar Bergman, ser intitulado Quando Duas Mulheres Pecam? O monumental All About Eve (Tudo Sobre Eve, em tradução literal) se
Guilherme Cândido
26 de mai.3 min de leitura


CRÍTICA | "O Rei da Internet"
“O maior hacker do Brasil”, brada o slogan deste aspirante a O Lobo de Wall Street à brasileira, chegando aos cinemas nesse final de semana dividindo-se entre a linguagem adolescente e as iscas nostálgicas atiradas aos millennials. Enquanto a primeira parcela tende a ser excluída dos multiplexes em função da classificação indicativa altíssima, o segundo será bombardeado por uma montagem que busca atualizar o estilo clipado da década de noventa, mas que acaba resvalando mesma
Guilherme Cândido
12 de mai.3 min de leitura


CRÍTICA | "Michael"
Os feitos de Michael Jackson são públicos e notórios. A marca deixada por ele não apenas na Música, mas também na cultura mundial é indelével, ou alguém seria incapaz de reconhecer a jaqueta vermelha usada no clipe de Thriller , por exemplo? Aliás, alguém ainda não ouviu a música que encabeça o disco mais vendido de todos os tempos? E é seguro presumir que todos já ouviram falar no “ moonwalk ” ou nos soluços vocais durante canções? Tudo isso é ilustrado em Michael , longa-m
Guilherme Cândido
21 de abr.4 min de leitura


CRÍTICA | "Vidas Entrelaçadas"
Com o aguardadíssimo O Diabo Veste Prada 2 programado para estrear em duas semanas, Vidas Entrelaçadas chega aos cinemas tanto como um aquecimento, quanto como uma perspectiva diferente sobre o mundo da Moda. Exibido no Festival do Rio passado, a produção não é entitulada originalmente Couture à toa. A palavra, que dá significado aos pontos de costura, faz referência ao formato narrativo escolhido pela realizadora francesa Alice Winocour e ganhou uma (rara) satisfatória ve
Guilherme Cândido
15 de abr.2 min de leitura


CRÍTICA | "O Estrangeiro"
*Crítica publicada durante a cobertura do Festival do Rio 2025 Com uma longa carreira marcada por uma surpresa a cada novo trabalho, François Ozon finalmente faz uma adaptação do clássico O Estrangeiro (1942) de Albert Camus. Finalmente, pois era uma questão de tempo até o altamente influente best-seller ganhar uma versão assinada pelo cineasta mais inquieto de seu país. Não bastasse apresentar um longa-metragem anualmente, o francês se certifica de reinventar-se em cada no
Guilherme Cândido
14 de abr.2 min de leitura


CRÍTICA | "Pai Mãe Irmã Irmão"
Rebelde por excelência, o nova-iorquino Jim Jarmusch construiu uma carreira marcada por filmes que nunca pareceram interessados em ser mais do que realmente são. A opinião acerca do público de seus trabalhos acompanha a extravagância da persona, sempre mantendo-se indiferente. E a partir do momento em que não há uma preocupação em articular um discurso ou dialogar com a plateia, surge a sensação libertadora de pura e simplesmente fazer o que dá na telha. Ou, nas palavras do
Guilherme Cândido
10 de abr.3 min de leitura


CRÍTICA | 'Cinco Tipos de Medo'
Histórias entrelaçadas são difíceis de serem contadas justamente em função da complexidade narrativa, demandando uma atenção crucial para o sucesso da empreitada. Quando o serviço é bem feito, temos pérolas como os indicados ao Oscar Babel e Crash - No Limite , que inclusive venceu o prêmio de Melhor Filme apesar de aumentar a base de detratores nos últimos anos. Cinco Tipos de Medo , no entanto, é uma produção brasileira baseada em relatos reais que infelizmente são apenas
Guilherme Cândido
6 de abr.2 min de leitura


CRÍTICA | "A Cronologia da Água"
*Crítica originalmente publicada durante o Festival do Rio 2025 Para aqueles limitados ao Cinema hollywoodiano, Kristen Stewart dificilmente conseguirá deixar para trás os embaraçosos tempos como a Bella Swan de Crepúsculo (2008). Um tropeço como intérprete, mas não financeiramente, claro. O fracasso é apenas um ponto de vista quando analisamos a carreira de uma artista como Stewart, destemida a ponto de ignorar o escrutínio público. Podemos questionar suas escolhas artístic
Guilherme Cândido
2 de abr.2 min de leitura







