

CRÍTICA | "Kokuho - O Preço da Perfeição"
Quando um filme deixa para trás nas bilheterias obras-primas de mestres como Akira Kurosawa, Hirokazu Kore-eda e Yasujirô Ozu, a atenção do ocidente costuma ser despertada. Kokuho - O Preço da Perfeição alcança esse feito apresentando-se como um épico de quase três horas de duração sobre a Arte do Kabuki, uma mistura de performance teatral com rituais que evocam mais de 400 anos de tradição. Como as mulheres não tinham permissão para performar, os homens também interpretavam
Guilherme Cândido
há 6 dias3 min de leitura


CRÍTICA | "Hey Joe"
A densa história de um veterano alcoólatra e depressivo da Segunda Guerra que subitamente descobre ter deixado um filho para trás enquanto esteve no fronte em Nápoles, oferece imagens deslumbrantes da costa sul da Itália e de quebra traz a fascinante relação entre dois homens de personalidades opostas tentando recomeçar. Mesmo assim, o maior atrativo de Hey Joe está fora da tela, pois trata-se do retorno do ator James Franco ao Cinema. Para quem não se lembra, o astro de Hol
Guilherme Cândido
7 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "A Noiva!"
É impossível assistir a este A Noiva! sem lembrar do controverso Coringa: Delírio a Dois . E mais, o segundo trabalho da atriz Maggie Gyllenhaal como cineasta soa como a materialização dos sonhos molhados de Todd Phillips, inacreditavelmente responsável pelos dois filmes do vilão interpretado por Joaquin Phoenix. Mais preocupado em contrariar a ala xiita dos fãs de sua primeira adaptação dos quadrinhos da DC, o realizador manchou o legado de sua bilionária e premiada franqui
Guilherme Cândido
6 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "Sirāt"
Quando vemos um senhor acompanhado do filho caçula distribuindo panfletos durante uma rave no meio de um cenário desértico, mal conseguimos imaginar o que está por vir, muito menos Luis, Esteban e a simpática cadelinha Pipa. É o local menos provável para encontrarmos um pai de família na casa dos cinquenta anos junto de uma criança, afinal. O lugar inóspito é ocupado por uma multidão em transe, portando-se como uma horda de mortos-vivos reagindo às batidas eletrônicas por me
Guilherme Cândido
27 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Enzo"
Curioso ter assistido a Enzo pouco tempo depois de A Praga . Ambos retratam as angústias durante a adolescência, com recortes sobre pertencimento e autodescoberta. Enquanto o segundo adota uma abordagem de terror, dando vazão aos sentimentos extremados inerentes à idade, o primeiro opta por caminhos mais convencionais, embora não menos potentes. O núcleo, no entanto, é o mesmo, partindo de questões universais. A produção foi idealizada por Laureant Cantet, do excelente Entre
Guilherme Cândido
24 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Depois do Fogo"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Josh O’Connor está em grande fase. Após despontar em O Reino de Deus (2017), o ator britânico vem aparecendo em filmes de destaque, como La Chimera (2023), Lee (2023) e o extraordinário Rivais (2024). Não por acaso, tem se tornado requisitado em Hollywood. Tanto que só esse ano está listado em quatro produções (Pedro Pascal que se cuide). Um dos dois filmes estrelados por ele a desembarcar no Festival do Rio é este Reconst
Guilherme Cândido
23 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Yes"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Quando pensamos na situação do Oriente Médio como material para uma produção cinematográfica, especialmente os massacres em Gaza perpetrados pelo Estado de Israel, uns imaginarão um documentário-denúncia, outros um drama pungente, mas todos terão em mente um projeto que trata com seriedade absoluta os acontecimentos desencadeados em 7 de outubro. Isso significa que Yes passa muito longe de se encaixar no que entenderíamos ser
Guilherme Cândido
10 de fev.2 min de leitura


CRÍTICA | "Dois Procuradores"
*Crítica publicada originalmente como parte da cobertura do Festival do Rio 2025 Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano, Dois Procuradores é um filme de ficção que traz a marca registrada de um cineasta que também se consagrou como documentarista. Mesmo quando provoca terror ou incredulidade, a produção jamais perde de vista o realismo cru e cruel idealizado por Sergey Loznitsa, nascido onde hoje é a Bielorrússia. Adaptada pelo próprio Loznitsa a partir das
Guilherme Cândido
5 de fev.2 min de leitura


CRÍTICA | "Destruição Final 2"
Esses dias estava conversando com amigos e comentei que iria à cabine de Destruição Final 2 , ao que imediatamente ouvi: “você gosta mesmo desses filmes de brucutu com o Gerard Butler!”. Se por um lado essa conjectura me divertiu, pois apesar das aparências o original passa longe de ser um “filme de brucutu”, por outro, me impôs uma inesperada reflexão. Afinal, escrevi sobre nada menos do que seis filmes estrelados por Butler. E esse número está aumentando nesse exato momento
Guilherme Cândido
4 de fev.4 min de leitura


CRÍTICA | "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 É um pecado ver a talentosíssima Chloé Zhao desperdiçar seu tempo a frente de projetos dos quais sequer tem pleno controle criativo. Após levar o Oscar por Nomadland em 2020, na famigerada cerimônia impactada pela Pandemia, a chinesa foi cooptada pela Marvel para dirigir logo no ano seguinte o infame Eternos , aventura que, vamos admitir, até possuía potencial na teoria, mas se revelou um tremendo fracasso em vários sentidos,
Guilherme Cândido
16 de jan.3 min de leitura


CRÍTICA | “Transamazônia”
*Crítica publicada durante a cobertura do Festival do Rio 2025 Já passava das 22:00 quando o público finalmente pôde se acomodar na sala de projeção para assistir a Transamazônia , produção financiada por diversos país em prol de um único objetivo: denunciar os maus-tratos ao pulmão do mundo. A diretora-executiva do Festival, Ilda Santiago, subiu ao palco para explicar os critérios utilizados na escolha desse filme para compor a curadoria esse ano. O atraso de mais de meia ho
Guilherme Cândido
10 de jan.3 min de leitura


CRÍTICA | “Família de Aluguel”
*Crítica publicada como parte da cobertura do Festival do Rio 2025 Precisando de alguém para lhe encorajar durante uma apresentação importante? Ou quer ajudar um amigo enlutado a ter com quem conversar? Mais, precisa de alguém para se passar outra pessoa? Acredite se quiser, mas existe uma empresa capaz de suprir todas as demandas acima. Uma não, várias, pois no Japão esse tipo de serviço é extremamente popular desde o início da década de 90, como Werner Herzog mostrou em Uma
Guilherme Cândido
9 de jan.2 min de leitura


CRÍTICA | "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 O Festival do Rio 2025 não tem sido muito amigável para com as mulheres que sonham com a maternidade. Após filmes como Me Ame Com Ternura , Morra, Amor , Hamnet e agora este Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria , é bem provável que as espectadoras pensem com mais cuidado antes de decidir ser mãe. O título já diz tudo, ilustrando a estafa mental e física da personagem de Rose Byrne, uma mulher que tem de se desdobrar em múltip
Guilherme Cândido
2 de jan.2 min de leitura


CRÍTICA | “Valor Sentimental”
*Crítica publicada durante a cobertura do Festival do Rio 2025 O Cinema de Joachim Trier é calcado nas fortes emoções, como fica claro na brilhante trilogia de Oslo, que começou com o ótimo Começar de Novo (2006), chegou ao ápice em Oslo, 31 de Agosto (2011) e culminou no excelente A Pior Pessoa do Mundo (2021). São produções intimistas que retratam sensações e sentimentos universais, evocando o calor humano das relações. Valor Sentimental não só endossa essa percepção, c
Guilherme Cândido
25 de dez. de 20253 min de leitura


CRÍTICA | "Avatar: Fogo e Cinzas"
Quando James Cameron finalmente levou o magnífico Avatar (2009) aos cinemas, o fez com o impacto visual que se espera do mestre por trás do clássico atemporal O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991). Pois o projeto dos sonhos do cineasta canadense envolvia não apenas humanos e uma realidade futurista, mas também um ecossistema criado a partir do zero. E Pandora, uma das catorze luas que orbitam o planeta Polifemo a 4,37 anos-luz da Terra e pulsa com fauna e fl
Guilherme Cândido
18 de dez. de 20256 min de leitura


CRÍTICA | "Sorry, Baby"
Sorry, Baby é um daqueles filmes feitos sob medida para serem vistos em festivais, quando entramos na sala de projeção sabendo praticamente nada do que veremos a seguir. Trata-se de uma situação única que somente este tipo de evento é capaz de proporcionar. E quando a escolha se mostra acertada, a experiência se assemelha a um nirvana cinéfilo. Foi o que senti assistindo a Close , A Chegada , Cafarnaum e Manchester à Beira-Mar , por exemplo (obrigado Festival do Rio!). Este
Guilherme Cândido
12 de dez. de 20253 min de leitura


CRÍTICA | "Memórias de um Verão"
Um drama familiar ambientado num complexo insular ao Norte da Europa traz fortes ecos da filmografia do demiurgo Ingmar Bergman. Mas esse singelo projeto dirigido por Charlie McDowell, filho dos astros Mary Steenburgen e Malcolm McDowell, não ambiciona muito mais do que servir de vitrine para a veterana Glenn Close nos lembrar porque é uma das melhores atrizes em atividade. Mas o que poderia ser apenas uma isca sedutora para os votantes do Oscar, acaba se transformando numa d
Guilherme Cândido
10 de dez. de 20252 min de leitura


CRÍTICA | "Foi Apenas Um Acidente"
Enquanto era perseguido, detido, preso, proibido de filmar e até de deixar o país-natal, o cineasta iraniano Jafar Panahi construiu uma carreira repleta de obras que refletiam suas atitudes não apenas como ativista, mas sobretudo como um cidadão inquieto perante as arbitrariedades do regime teocrático sob o qual vivia (hoje mora na França). Mas enquanto críticas, denúncias e exposições sempre fizeram parte de seu discurso, suas narrativas frequentemente chamavam atenção por b
Guilherme Cândido
5 de dez. de 20253 min de leitura


CRÍTICA | "Cyclone"
Uma escritora talentosa esbarra no patriarcado tentando encontrar espaço como artista. Se passa em 2019, mas o filme livremente inspirado na trajetória da dramaturga modernista Maria Lourdes de Castro (conhecida como “Miss Cyclone”) é ambientada em 1919, época em que, se uma mulher precisava da permissão do marido para viajar ao exterior, imagina receber créditos sem precisar utilizar um pseudônimo. Cyclone , que estranhamente passou em branco pelo Festival do Rio, é um filme
Guilherme Cândido
3 de dez. de 20253 min de leitura


CRÍTICA | "Bugonia"
Num momento em que a ansiedade e a depressão assolam uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia e coletivamente desconectada, o grego Yorgos Lanthimos prova ser o diretor ideal para comandar Bugonia , um filme sobre indivíduos psicologicamente frágeis ao ponto de serem seduzidos por teorias da conspiração. Como um artista cuja matéria-prima é a inquietação, não é mero acaso que suas obras provoquem uma sensação pungente de desconforto, algo que sua abordagem invaria
Guilherme Cândido
29 de nov. de 20253 min de leitura







