CRÍTICA | "Casamento Sangrento 2: A Viúva"
- Guilherme Cândido

- há 10 horas
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Embora tenha finalizado de forma satisfatória e sem a petulância tipicamente hollywoodiana de deixar brechas para serem seguidas numa continuação, Casamento Sangrento fez tanto sucesso em 2019 que era uma questão de tempo até virar uma franquia. Afinal, esse é o caminho natural de filmes de terror lucrativos, principalmente pela tradição de serem baratos de produzir.
E por se tratar de uma sequência, é claro que Casamento Sangrento: A Viúva se farta do exagero, seguindo o mantra megalomaníaco de Hollywood. Novamente escrito pela dupla Guy Busick e R. Christopher Murphy, o longa possui mais personagens, é mais sangrento e tem ainda mais humor. Isso não significa, porém que é melhor, na realidade, a receita é a mesma, o que muda é a proporção dos ingredientes.
Felizmente, os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet (ou Radio Silence, como costumam assinar seus trabalhos) são inteligentes ao partirem exatamente do ponto onde o primeiro filme acabou, passando com clareza a sensação de que aquela história não chegou exatamente ao fim. É a desculpa perfeita, por exemplo, para postergar consequências imediatas, como o inevitável envolvimento da polícia.

Também gera a curiosa oportunidade de levar a narrativa a ecoar escândalos contemporâneos como a divulgação dos arquivos Epstein, revelando um timing corajoso ao introduzir o conceito no qual o planeta é governado por um pequeno, mas exclusivo grupo. O que os membros fazem, obviamente, é mais do que interferir na geopolítica ou alterar os rumos de uma guerra e é aí que a dupla coloca a mão na massa.

O ambiente também muda, saindo dos aposentos e corredores luxuosos de uma gigantesca mansão para o exterior de um resort. Nesse aspecto, a produção, que já não possui o refrescante ar de novidade de seu antecessor, se aproxima de outro colega de gênero, o bom, mas inferior, A Caçada, lançado no ano seguinte ao Ready or Not original.

Bettinelli-Olpin e Gillet, no entanto, parecem ter dado suas melhores cartadas no projeto original, reforçando a impressão de que uma sequência nunca esteve nos planos iniciais. O humor negro, que suavizava com precisão cirúrgica a brutalidade tão peculiar à dupla (responsável pelo mais violento capítulo da cinessérie Pânico, é bom lembrar), é menos dilacerante dessa vez, assim como a criatividade na hora de elaborar os confrontos e, consequentemente, as mortes, carro-chefe do gênero.

Samara Weaving, revelada pela franquia, segue sustentando a narrativa com muito jogo de cintura. Não apenas uma final girl perfeita, a personalidade cortante e o figurino instantaneamente icônico, a posicionam como um dos nomes mais proeminentes do terror moderno, sucedendo ao trono recentemente deixado por Jamie Lee Curtis em Halloween. Confortável em transmitir bravura sem abandonar completamente a humanidade, ela ostenta espadas, adagas e espingardas com segurança, embarcando na folia sanguinolenta com um comprometimento mais do que necessário.

Entre as novidades do elenco, muito se falará sobre a reunião de astros do passado e do presente da TV estadunidense. Shawn Hatosy, o Dr. Abbot da imperdível e premiadíssima The Pitt e Sarah Michelle Gellar, a eterna Buffy, fazem boa dupla, mas colocar Elijah Wood para explicar o poder representado por um anel é absolutamente genial. Já Kathryn Newton, outra postulante ao panteão das final girls, traz o sarcasmo e a desfaçatez que se especializou a empregar em performances como as de Freaky: No Corpo de um Assassino (2020) e Abigail (2024).

A dinâmica entre Newton e Weaving, em contrapartida, emperra o ritmo do filme, que é obrigado a fazer pausas para as duas discutirem a relação. Interromper o fluxo narrativo para desenvolvê-las até seria desculpável, mas o que se vê é uma tentativa apressada de ilustrar o passado conturbada entre as irmãs, usando alguns clichês como atalho narrativo. E por falar em clichês, alguém mais aguenta sequências ao som de Total Eclipse of the Heart, de Bonnie Tyler? Indiscutivelmente um hino atemporal, mas tão utilizado ao ponto de ser banalizado. Está na hora de Hollywood descobrir outros clássicos musicais...

Culminando no mesmo tipo de definição que nos iludiu anteriormente (com exceção de ótimas reviravoltas), Casamento Sangrento 2 não goza do ineditismo criativo que tornou seu antecessor tão adorado, mas é divertido o suficiente para fazer desse “mais do mesmo” um passatempo pronto para ser abraçado pelos fãs de terrir.
NOTA 6,5









