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CRÍTICA | “Mortal Kombat 2”

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

Sequências de ação razoáveis, personagens definidos apenas por estilos de luta e/ou frases de efeito e um protagonista insosso. Para completar esse resumo, faltaria apenas dizer que se tratava de uma adaptação de Mortal Kombat sem um torneio Mortal Kombat. Por outro lado, a reverência e o carinho dos envolvidos, fãs declarados do jogo de luta, podem ser sentidos em vários momentos, especialmente na aguardada sequência em que Scorpion solta seu famoso “Get Over Here!”. Aliás, tamanho esmero ao retratar os personagens se reflete também em algumas atuações, como a do sempre ótimo Hiroyuki Sanada na pele do supracitado e de Josh Lawson, que abraça a canastrice demandada pelo papel de Kano. Talvez, aquela terceira tentativa de capitalizar em cima da marca cruze a linha dos chamados “guilty pleasures” (um conceito que, confesso, jamais entenderei). Talvez não seja divertido o bastante. Certo mesmo é que a sequência, grande estreia da semana nos cinemas brasileiros, pode deixar a desejar em vários aspectos, menos na diversão proporcionada.

Agora escrito por Jeremy Slater (de bombas como o Quarteto Fantástico de 2015 e a adaptação de Death Note para a Netflix), o roteiro não apresenta muitas evoluções, mas algumas são realmente substanciais, como ao relegar o fraco protagonista anterior a uma figuração de luxo neste novo, abrindo espaço para uma trama clichê (embora mais adequada do que o chatíssimo conflito sobre o homem de família do primeiro filme) de vingança envolvendo Kitana, que acaba totalmente eclipsada pela presença inebriante de Karl Urban como Johnny Cage.

Mais do que o Billy Bruto da série The Boys, o neozelandês esteve em O Senhor dos Anéis, Star Trek e Dredd antes de cravar o nome na história de outro titã da cultura popular. Aqueles que o considerariam acima da faixa etária esperada, entenderão os motivos da escalação logo nos primeiros segundos de Cage na tela, um astro de filmes de pancadaria popular nos anos 90, mas atualmente relegado ao ostracismo (uma espécie de avatar para astros como Jean Claude Van Damme e Steven Seagal, por exemplo). Esse cenário permite ao roteiro brincar com Hollywood e suas idiossincrasias: Figurinha carimbada de convenções de fãs, ele lamenta as mudanças da indústria, já que “as pessoas agora só querem saber do Keanu Reeves matando mil babacas com um lápis”. Uma máquina de frases de efeito e tiradas englobando franquias populares, é fácil entender porque o personagem é tão querido e Urban tira proveito disso ao oferecer uma de suas performances mais carismáticas e irreverentes.

Por isso, a Kitana de Adeline Rudolph (vista no subestimado Hellboy e o Homem Torto) acaba engolida mesmo sendo o primeiro nome nos créditos, sendo a primeira a aparecer e a protagonista da trama principal. Infelizmente isso é um problema que denota a falta de foco de Jeremy Slater, ou um eufemismo para o fato de estar absolutamente perdido entre as várias subtramas e o claro excesso de personagens. Ao menos Slater é honesto ao jamais prometer algo além do que realmente consegue oferecer, resultando numa narrativa conscientemente caótica, mas sem a menor intenção de apresentar explicações (as chamas no alto) ou, pelo menos, um aprofundamento.

Alinhado com essa diretriz, o diretor Simon McQuoid parece interessado apenas em reproduzir cenários e situações de jogo com o maior grau possível de fidelidade, o que justifica a inclusão de ângulos abertos focando personagens em perfil (só faltou incluir a barra de “vida” e a identificação dos adversários), por exemplo. Enquanto isso as lutas ultra violentas, marca registrada dos games, permanecem intactas, ganhando potência (finalmente) com a inclusão do torneio. E se há algum ponto positivo em relação ao caos narrativo, é pela impressão de que qualquer personagem está sujeito a uma morte brutal, mas que é diluído com a inclusão de um necromante (a possibilidade de ressuscitação ameniza o impacto das “derrotas”). Outra melhoria, essa mais evidente, vem do já citado escanteamento de Cole Young, cuja seriedade inerente à clássica subtrama do pai de família abre ainda mais espaço para o humor e comprova que Mortal Kombat sempre funciona melhor quando não se leva a sério.

Esse é precisamente o trunfo que permite a essa continuação superar com folga o anterior; e se não aparecerá em listas de melhores adaptações de videogames, certamente será lembrada como uma das mais divertidas.


NOTA 6








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