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CRÍTICA | "Super Mario Galaxy: O Filme"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

Quando escrevi sobre Super Mario Bros. - O Filme, mencionei que, mesmo não focando no desenvolvimento de seus personagens e/ou numa trama complexa, a produção se saía bem quando não dependia dos recursos limitados da Illumination, divisão de animações da Universal famosa por obras pouco inspiradas, mas recheadas de figuras prontas para venderem bonecos e renderem derivados. No caso da primeira incursão da Nintendo nos cinemas, o fator novidade quase sempre era o bastante quando combinado ao carisma de Mario, Luigi e cia., escorando-se também na sempre presente nostalgia. Já Super Mario Galaxy: O Filme, não apenas perde o frescor narrativo, como sequer tem a preocupação de criar uma história convincente o bastante para justificar uma segunda visita ao colorido e rico mundo concebido por Shigeru Miyamoto. Em outras palavras, dessa vez o roteirista Matthew Fogel não consegue (ou sequer tem a pretensão) de disfarçar sua verdadeira função: montar uma longa e cara propaganda dos maiores ativos da gigante dos videogames.

Se no primeiro longa, Mario e Luigi ao menos tinham um arco dramático de superação, agora eles apenas saltam entre planetas com uma frequência equiparável apenas à quantidade de participações especiais e easter eggs que saltam na tela. Aliás, chega a impressionar o número de vezes em que uma história de origem é contada, fazendo com que o filme pare com o objetivo de explicar ao espectador de quem se trata e qual o contexto de seu surgimento. Não é exagero, isso acontece ao menos três vezes e lembre-se que o filme mal ultrapassa os noventa minutos de projeção.

Há muita pressa e pouca coesão, pois no afã de incluir o maior volume possível de referências aos jogos (novos e antigos) da Nintendo, o roteiro tem de pular etapas narrativas, deixando lacunas pelo caminho. Exemplificando, por que, afinal, recorrer a um piloto se há alguém capaz de abrir portais? A resposta é menos lógica do que afetiva: tal piloto é queridíssimo pelos fãs, fazendo sua estreia nas telonas sendo dublado por um dos maiores astros da nova geração hollywoodiana. O público-alvo, provavelmente não ligará para isso, pois estará distraído vendo seus games e heróis favoritos ganhando vida na tela, por mais repetitiva que seja a estrutura narrativa. Nem é difícil perceber que tudo se resume a três grandes perseguições costuradas apressadamente a confrontos burocráticos e momentos de respiro que servem como oportunidades para participações especiais. Isso para não mencionar a falta de inspiração, refletida por exemplo na piada envolvendo um robô e que é claramente baseada na do simpático nicho-preguiça Flecha de Zootopia.

Por outro lado, verdade seja dita, o longa-metragem representa uma evolução visual não apenas dentro da franquia, mas considerando também todo o retrospecto da Illumination. Embora a textura emborrachada permaneça, as criaturas ganham um bem-vindo detalhamento gráfico. Sai a pele fosca, entram os reflexos verossímeis, por exemplo. As roupas e os cabelos também são mais apurados e o estilo do compositor Brian Tyler, normalmente um profissional de prateleiras inferiores, prova mais uma vez ser talhado para este universo, com melodias que abusam da bateria e apostam num ritmo mais acelerado sem sacrificar a identidade sonora dos produtos originais.

Dramaticamente nulo, narrativamente raso, mas ainda divertido a ponto de amenizar o que poderia ser uma catástrofe nível Minions, Super Mario Galaxy: O Filme simboliza um passo atrás dado por uma franquia cujos produtores estarão ocupados demais contando os dólares arrecadados para se importarem com qualquer outro problema.


NOTA 5

 

Observação: Há duas sequências pós-créditos

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