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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Estrelas Além do Tempo conta história importante apesar de açucarada

Estrelas Além do Tempo é o tipo de filme que precisa existir por dois motivos básicos: Para nos lembrar de que, obviamente, somos todos iguais; e para mostrar que, embora ainda haja (considerável) discriminação hoje em dia, o mundo já foi pior.


Nem mesmo a NASA escapou, como ressalta a personagem de Kirsten Dunst em um momento:


“[A NASA] é rápida com foguetes, mas devagar com avanços”


Dito isso, Estrelas Além do Tempo também existe para nos lembrar (ou revelar) que os homens não foram os únicos a fazerem a diferença na corrida espacial, pois três bravas mulheres também fizeram por merecer um lugar na História. E se eu dissesse que elas também eram negras? Lembra quando eu escrevi “bravas”? Pois é, além de terem de superar o machismo, elas tiveram de encarar a segregação racial. Mas, sejamos justos, elas não eram apenas “bravas”: eram brilhantes.


Dirigido por Theodore Melfi (do subestimado Um Santo Vizinho) e escrito pelo próprio em parceria com Allison Schroeder (Meninas Malvadas 2), o roteiro acompanha a trajetória de Katherine (Taraji P. Henson, do bom O Curioso Caso de Benjamin Button), Dorothy (Octavia Spencer, do fraco Histórias Cruzadas) e Mary Jackson (a cantora Janelle Monáe, do inédito Moonlight), que trabalham na Agência Espacial Americana desempenhando diferentes tarefas, a fim de ajudar o governo americano a vencer a corrida espacial contra a Rússia.


Oferecendo uma performance mais contida que o habitual, Taraji P. Henson compõe Katherine como uma mulher simples, mas extremamente competente, e quando a vemos justificar para seu superior as pausas de 40 minutos que é obrigada a fazer em função da distância do banheiro “para mulheres de cor”, vemos com clareza o retrato de alguém que é vítima constante dos absurdos da segregação racial, mas que resolve dar um basta na situação quando seu trabalho passa a ser afetado, numa cena-chave que evidencia o talento de Henson.


Enquanto isso, Octavia Spencer constrói sua Dorothy como uma mulher experiente, mas cuja ambição profissional constantemente esbarra no preconceito, merecendo elogios por unir força e simplicidade em sua composição. E se a cantora Janelle Monáe mostra potencial também como atriz, é o veterano Kevin Costner quem merece o destaque do elenco secundário, conseguindo expressar toda a sinceridade de seu Harrison que, mesmo não sendo negro, vê o racismo atrapalhar o seu trabalho constantemente. Já Jim Parsons (o Sheldon da série The Big Bang Theory) é desperdiçado com o ingrato papel unidimensional do “rival” de Katherine.


Outro ponto negativo do filme, e que é recorrente, é a falta de sutileza do roteiro, que tropeça em situações que soam pontualmente artificiais. Além disso, se a produção escancara a intenção de permanecer leve ao optar por não mostrar as consequências de determinados acontecimentos, merece elogios por evitar a potencial pieguice que poderia representar uma cena envolvendo um casamento e seus desdobramentos.


Estrelas Além do Tempo também acerta em cheio na trilha sonora (composta por Hans Zimmer) que ajuda a situar o filme, ao mesmo tempo em que usa o swing das canções compostas por Pharell Williams (o cantor de Happy) para ajudar no clima descontraído da narrativa.


Tecnicamente, porém, o filme se apresenta correto na maior parte do tempo, com exceção da cena envolvendo uma missão tripulada da NASA, que expõe o baixo orçamento da produção ao exibir péssimos efeitos visuais.


Ao incluir um imigrante polonês exercendo cargo importante na NASA, Estrelas Além do Tempo aproveita para dar uma alfinetada no governo Trump, mas o mais importante é que a produção também mostra a relevância da clássica frase do filósofo Edmund Burke:


“Aqueles que não conhecem a História, estão fadados a repeti-la”


Nesse sentido, a história de Katherine, Dorothy e Mary Jackson serve como uma bela lição (e um pertinente alerta).


NOTA 7

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