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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Festival do Rio 2017 | Dia 4

Seguindo a maratona cinéfila do Festival do Rio 2017, confira as críticas para os filmes deste quarto dia da edição.




Meu Colégio Inteiro Afundando no Mar (Estados Unidos)


Despretensioso desde o primeiro frame, esta estreia de Dash Shaw como diretor/roteirista mal consegue esconder seu baixo orçamento, ao apresentar um nível técnico tão modesto que por vezes aproxima-se do amador.


Porém, Shaw é hábil ao contornar estes problemas através de um roteiro sagaz e irreverente que aproveita elementos clássicos das comédias escolares para criar um coming of age repleto de um humor ácido e perfeitamente adequado às suas propostas. E a coisa fica ainda melhor quando nomes como Jason Schwartzman (Viagem a Darjeeling), Lena Dunham (da série Girls), Maya Rudolph (Vício Inerente) e até mesmo Susan Sarandon (O Acordo) demonstram comprometimento e entrosamento com o espírito da produção, entregando performances vocais espirituosas.


Abusando das cores fortes e fazendo graça com a violência e o absurdo, definitivamente não é uma animação mainstream, mas tampouco deve ter seu valor artístico desprezado.


NOTA 7



Berenice Procura (Brasil)


Com boas atuações de Cláudia Abreu e Eduardo Moscovis, Berenice Procura é uma crônica sobre a hipocrisia e a demagogia que tanto aparecem nos dias de hoje.


Usando o subtexto do assassinato de um travesti para discorrer sobre intolerância, o filme se estrutura como um breve “whodunit” (o famoso “quem é o assassino”?), mas sem as pretensões de remeter a um livro de Agatha Christie.


Extremamente simplista, a produção busca apenas a catarse, envolvendo o espectador nos conflitos dos personagens. Tecnicamente competente, o destaque da produção fica por conta da bela fotografia, que investe nas cores para pintar a noite de Copacabana como um ambiente quase lúdico e extremamente diversificado.


Encerrando a projeção com uma solução forte e seca, atinge exatamente o objetivo traçado ao início: catarse.


NOTA 8



Praça Paris (Brasil)


Poucos filmes desta edição do Festival do Rio tocaram tanto na ferida social do Brasil como este Praça Paris.


Estruturado na dicotomia estabelecida entre a paranoia de uma mulher Branca (Joana de Verona) e a Negra sem privilégios (Grace Passô), o longa de Lúcia Murat aborda a questão da criminalidade e suas ramificações com eficácia, gerando boas discussões até mesmo em passagens mais curtas (como a pregação ostensiva do pastor de rua ou a abordagem de um policial a um transeunte).


O maior mérito da projeção é construir de forma eficiente a aproximação cada vez maior de Gloria (Passô, excelente) e Camila (de Verona), cuja distância social parece ser determinante para uma transformação brusca no relacionamento entre estas.


É uma pena, portanto, constatar a falta de cuidado no desenvolvimento de Camila, uma psicóloga que aqui surge propensa a ataques de histeria. O tema também parece ter sido grandioso demais para o roteiro de Raphael Montes, que acaba engolido pela complexidade de sua temática espinhosa.


Nada que invalide o esforço de uma obra genuinamente brasileira e que não tem medo de expor as feridas sociais de uma cidade maltratada pela criminalidade, onde os cidadãos são os mais afetados.


NOTA 7



Aos Teus Olhos (Brasil)


Inicialmente oferecendo um debate social interessante sobre um professor de natação que, supostamente, assedia um de seus alunos, Aos Teus Olhos não demora a mergulhar sua trama numa violenta espiral de tudo aquilo que nos distancia da humanidade, revelando-se uma crônica poderosa sobre o discurso de ódio manifestado na internet e seu poder sobre o afetado.


Com atuações excepcionais (principalmente de Daniel Oliveira), o filme deixa de lado a investigação para focar-se na humanidade, ou a falta desta, ao discutir os limites (ou falta destes) no ambiente virtual.


Independente do veredicto, aqui (ou na vida real) o internauta não hesita em pré-julgar alguém, condenando sem ao menos receber provas, destilando veneno numa espécie de efeito rebanho capaz de destruir a reputação/vida de outro ser humano.


Uma das melhores e mais fortes obras deste Festival do Rio.


NOTA 9

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