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CRÍTICA | "O Frio da Morte"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Aos sessenta e seis anos de idade, trinta e sete deles dedicados ao Cinema, Emma Thompson poderia estar curtindo a aposentadoria ao lado dos netos ou simplesmente usando o tempo livre para lustrar os dois Oscars que ganhou (um de Melhor Atriz por Retorno a Howards End, outro pelo roteiro de Razão e Sensibilidade), mas prefere continuar nos oferecendo o privilégio de vê-la em cena. O Frio da Morte, no entanto, não faz jus ao talento incontestável da britânica.

 

Isso porque o diretor irlandês Brian Kirk - do bom Crime Sem Saída (2021), estrelado pelo saudoso Pantera Negra Chadwick Boseman - é incapaz de distinguir seu novo projeto de outros thrillers gélidos de quinta categoria, como os recentes Terror na Antártida (2009), Sangue no Gelo (2013), Refém do Medo (2016), Boneco de Neve (2017) e tantos outros.

Dead of Winter, no original, acompanha Barb Sorensen (Thompson) uma idosa que, ignorando todos os alertas das autoridades, resolve encarar uma tempestade de neve nas já implacáveis tundras de Minnesota a fim de cumprir uma tarefa pessoal prometida ao marido recém-falecido. Como não poderia deixar de ser, ela se perde no caminho, mas toma a clássica atitude de pedir informação a um sujeito solitário. Pena que o tal homem (Marc Menchaca, da série Ozark) logo deixa escapar o fato de estar mantendo uma adolescente (Laurel Marsden, do fraco O Exorcista do Papa) em cativeiro, com objetivos obscuros envolvendo a esposa (Judy Greer, vista ano passado em A Longa Marcha). É claro que Barb não resistirá ao instinto de tentar salvar a moça, usando um conjunto peculiar de habilidades para tal.

Verdade seja dita, Kirk se sai bem durante a primeira metade, quando o roteiro dos estreantes Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb se concentra em mostrar a protagonista ludibriando os bandidos através da própria inteligência. A paisagem esbranquiçada (o filme foi rodado na Finlândia) também ajuda a compor uma bem-vinda atmosfera opressora e Greer faz um belíssimo trabalho na pele de uma assassina cruel e determinada, formando um inesperado bom par com Thompson.

Mas se a eterna Nanny McPhee oferece uma performance carismática, conferindo um misto heterogêneo de fragilidade física, astúcia e resiliência para manter a história digna da nossa atenção, o terceiro ato simplesmente desmorona com uma série de implausibilidades, comprometendo a credibilidade da trama e enfraquecendo nosso elo com Barb, transformada numa mistura de Mamãe Noel com John McClane. Nem a tensão é mantida por tempo suficiente para nos distrairmos durante as absurdas sequências de ação, já que são entrecortadas por flashbacks que rapidamente se tornam redundantes.

Essa irregularidade no ritmo seria facilmente contornada caso o montador Tim Murrell mostrasse o passado da personagem principal todo de uma vez logo nos primeiros minutos, mas esse é um problema aparentemente crônico, já que também prejudicou o razoável Fúria Primitiva, seu trabalho anterior. Igualmente problemático é o volume de perguntas básicas que acabam sem resposta como a motivação da menina sequestrada e as circunstâncias de sua captura.

 

No final do dia, O Frio da Morte acaba servindo apenas para render mais um merecido cachê a uma grande atriz, agora obrigada a estrelar esse tipo pedestre de produção para se manter em atividade, pois todos sabemos como a Indústria costuma ser hostil às suas veteranas, fechando portas à medida que elas envelhecem.


NOTA 4,5

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