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  • Foto do escritorGuilherme Cândido

Sem Fronteiras traz Star Trek mais leve e divertido

Desde que teve seu universo reiniciado por J.J. Abrams nas telonas em 2009, a franquia Star Trek tem apresentado aos seus fãs algumas mudanças consideráveis. Um exemplo disso foi a atmosfera aventureira que, apesar de presente nas antigas produções, ganhou mais espaço graças também aos avanços na tecnologia de efeitos visuais que aliás, têm exercido um papel cada vez mais marcante nessas novas aventuras dos tripulantes da Enterprise, deixando de lado os famigerados “cenários de papelão” da primeira série de TV.


E logo após o genial recurso utilizado para dar um reboot na cronologia da série no ótimo Star Trek, de 2009, J.J. Abrams voltou com força total para dirigir o excelente Star Trek: Além da Escuridão, que proporcionou algumas das mais memoráveis sequências de toda a franquia. Entretanto, ao aceitar ajudar a Disney a reiniciar Star Wars, J.J. Abrams passou o bastão para o cineasta Justin Lin que, com a experiência adquirida dirigindo quatro filmes da série Velozes e Furiosos, abraçou de vez a ideia de transformar Star Trek numa épica aventura espacial. Lançado justamente no ano em que comemora 60 anos desde a primeira exibição da série de TV, Star Trek: Sem Fronteiras é nada mais do que uma grande celebração da história da franquia.


Acenando para os fãs o tempo todo com as mais variadas referências e homenagens, o novo filme coloca a tripulação da Enterprise em mais uma perigosa jornada, o que talvez represente o maior desafio da vida do Capitão Kirk (Chris Pine) que, além de ter de superar alguns dramas pessoais, deverá impedir que o determinado vilão Krall (Idris Elba) coloque toda a Federação em risco.


Escrito por Doug Jung e Simon Pegg (que reprisa seu papel como Scotty), o roteiro já derrapa logo no início ao lançar uma série de informações numa verdadeira enxurrada de diálogos expositivos, conseguindo redimir-se ao tomar uma corajosa decisão: derrubar a Enterprise e separar seus tripulantes. Com isso, Pegg e Jung dividem o foco entre vários núcleos, merecendo elogios por conseguirem dar o mesmo espaço para todo o elenco brilhar.


E todo o elenco brilha mesmo: Karl Urban (o Dr. McCoy), por exemplo, tem a oportunidade de explorar todo o seu timing cômico, protagonizando algumas das mais divertidas cenas da projeção ao lado do Spock de Zachary Quinto, que surge mais uma vez correto no icônico papel imortalizado pelo finado Leonard Nimoy que ganha uma comovente homenagem.


Outro ator a falecer este ano, o jovem Anton Yelchin se despede da série com mais uma carismática composição, enquanto o Sul-Coreano John Cho aproveita o espaço maior concedido pelos roteiristas para transformar Sulu numa das figuras centrais da trama. Já Simon Pegg é inteligente ao impedir que o posto de roteirista influenciasse na abordagem de seu Montgomery Scott, voltando a exibir seu talento como alívio cômico e não esquecendo de dar profundidade ao Capitão Kirk de Chris Pine.


Talentoso e extremamente confortável como o astro da série, Pine não tem dificuldade em abraçar o protagonismo indiscutível de Kirk, sendo eficiente tanto nas sequências de ação, como nas cenas mais dramáticas, acertando também ao adotar uma postura ainda mais bem humorada que nos filmes anteriores (com destaque para as cenas em que interage com Karl Urban).


O que nos leva aos estreantes Idris Elba e Sofia Boutella. O consagrado ator britânico, para começar, faz de Krall um antagonista à altura de Kirk, sendo hábil ao transmitir todo o perigo que o personagem representa. Já a estrela de Kingsman: Serviço Secreto, sob pesada maquiagem, só possui tempo de tela o bastante para transformar Jaylah numa guerreira corajosa e determinada, cumprindo bem sua função de interligar os núcleos da trama.


Vindo de uma bem-sucedida experiência com a franquia Velozes e Furiosos, o cineasta Justin Lin é competente na condução da história, criando um clima leve e descontraído nos dois primeiros atos apenas para, logo em seguida, mergulhar o espectador numa espiral de tensão que culmina numa espetacular sequência de ação que usa uma música bastante conhecida pelos fãs da série para estabelecer uma elegante rima com o Star Trek de 2009.


Infelizmente, porém, Lin demonstra imensa dificuldade na utilização do 3D, criando algumas sequências de luta que, graças ao alto número de cortes, acabam ficando confusas e até mesmo propensas a provocar desconforto no público.


Mesmo com esses tropeços, Star Trek ainda não apresenta sinais de esgotamento, permanecendo firme e forte como uma das maiores séries de ficção do Cinema, e, desde já, uma das mais divertidas franquias em atividade.


NOTA 7

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