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CRÍTICA | "Código: Vingança"

Foto do escritor: Guilherme Cândido
Guilherme Cândido
há 11 minutos
3 min de leitura

Existe um apelo inegável na história de um homem com habilidades especiais confinado num espaço limitado tendo de encontrar formas de sobreviver e desvendar uma trama maior. Esse formato deu tão certo com Duro de Matar que é copiado até hoje, inclusive por este Código: Vingança, a mais nova produção de Jason Statham a desembarcar nos cinemas brasileiros.


Antes disso, porém, o longa gerou uma enorme dor de cabeça para os produtores após ser disponibilizado, por engano e dias antes da estreia oficial, na plataforma do Prime Video, em alta qualidade e com direito a página completa de informações. Mesmo tirando rapidamente do ar, o estrago já estava feito e distribuidores internacionais exigem até hoje da Amazon um ressarcimento para cobrir o prejuízo milionário. Tão complexa quanto essa situação acaba sendo a própria trama do filme, que vai na contramão da marca Jason Statham para tentar se aproximar do clássico estrelado por Bruce Willis.

Cole Reed (Statham) trabalha como diretor de segurança de um empresário bilionário. Mais do que um funcionário, ele é considerado parte da família, graças a feitos corajosos do passado. No meio do processo de venda da companhia, o executivo acaba assassinado e Cole leva a culpa. Quem assistiu a dois ou três filmes desse tipo, já sabe que o sujeito cumprirá duplo expediente, buscando limpar o próprio nome e vingar a morte do chefe querido.

Por se tratar de uma empresa do ramo marítimo, o filme aproveita para atirar o protagonista a bordo de um gigantesco cargueiro, oferecendo inúmeras possibilidades em termos de ação e coreografias. Aliado ao já famoso conjunto de especialidades do ator britânico, o resultado poderia ser criativo e empolgante, mas o diretor Jean-François Richet peca pelo excesso de pragmatismo.

Revelado ao mundo depois de comandar os ótimos Inimigo Público Nº1 e Assalto à 13ª DP, o francês voltou a mostrar competência três anos atrás, quando dirigiu Gerard Butler e Mike Colter no bom Alerta Máximo. O francês pode não ser o mais criativo dos cineastas, mas é um dos mais competentes da Indústria, entregando sequências limpas e eficazes. Pode parecer uma abordagem conservadora, mas não deixa de ser compreensível. Afinal, o peso da ação acaba recaindo nos ombros do astro da produção.

O que passa longe de ser um problema quando o astro em questão é ninguém menos que Jason Statham, um dos herdeiros remanescentes do trono de Schwarzenegger e Stallone no panteão da Ação. Justamente quando lhe é permitido fazer o que sabe, Mutiny (no original) alcança seus melhores momentos, com direito a um volume de violência um pouco maior do que o habitual. Quando o britânico procura instrumentos navais para usar como armas improvisadas, é praticamente impossível, ao menos para seus fãs, não lembrar do inventivo Carga Explosiva, por exemplo, auge físico do ator e porta de entrada ao lado brucutu de Hollywood.

O grande problema da produção é querer ser mais do que uma vitrine para Statham mostrar que ainda sabe (como poucos) distribuir sopapos ou fazer pose de durão na hora de atirar junto à câmera. Isso já seria suficiente, mas os roteiristas Lindsay Michel (debutante em longas) e J.P. Davis (veterano dos filmes de ação), sobrecarregam a narrativa com subtramas envolvendo tráfico humano, espionagem corporativa e uma conspiração internacional. São tentativas de reivindicar credibilidade e seriedade que soam desnecessárias quando tudo ao redor pedia por simplicidade. Não ajuda o fato de o roteiro tratar com imenso desleixo cada um dos temas citados. Até mesmo Annabelle Wallis surge completamente deslocada, como se estivesse em cena para cumprir a cota feminina, sendo a única mulher do elenco. Um problema recorrente na carreira da atriz londrina quando lembramos de sua passagem em filmes como Justiça Artificial, Te Peguei e Mate ou Morra.

Considerando o ritmo prolífico de Jason Statham, era de se esperar que uma hora ele entraria numa maré de produções abaixo da média, que apesar de completar cinco anos, ao menos mostra que Os Mercenários 4, o fundo do poço para todos os envolvidos, foi apenas um acidente de percurso. Código: Vingança passa longe de se equiparar a essa atrocidade com múltiplas indicações ao Framboesa de Ouro e pode até funcionar para aqueles pouco exigentes, o que parece ser o caso dos fãs de Statham.


NOTA 5

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