top of page

CRÍTICA | "Supergirl"

  • Foto do escritor: Guilherme Cândido
    Guilherme Cândido
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Quando James Gunn foi contratado para chefiar o novo DC Studios, muito se comentou sobre o tom dos vindouros projetos, uma vez que a editora ficou marcada pelas adaptações sombrias e realistas. No entanto, Superman, o primeiro dessa leva planejada (e comandado pelo próprio chefão), trouxe um equilíbrio perfeito enquanto realinhava o personagem às suas origens.


Paradoxalmente, foi justamente num filme sem a direção de Gunn que o recém-criado estúdio acabou concretizando os pesadelos dos fãs, já que Supergirl, mais parece uma tentativa capenga de emular Guardiões da Galáxia do que qualquer outra coisa.


Se Superman apenas carregava traços do que James Gunn fez na trilogia supracitada, chamando mais atenção para uma trama mais sólida e conduzida com segurança, Supergirl demonstra a insegurança de um estúdio ávido por atrair os fãs do trabalho anterior do novo manda-chuva.

O roteiro assinado pela estreante Ana Nogueira apresenta a prima do Superman inicialmente como uma anti-heroína deslocada, mas eventualmente resgatada do limbo da indiferença para cumprir o destino de ser a heroína que todos esperam. Entregue ao hedonismo como forma de anestesiar o luto pela perda da família e do planeta-natal, Kara Zor-El passa os dias alternando entre planetas enquanto se embebeda e curte baladas ao lado do adorável cãozinho Krypto, fiel escudeiro já visto em Superman e que acaba ferido numa batalha contra o vilão Krem (vivido pelo belga Matthias Schoenaerts, de The Old Guard). Era a única forma de fazer a moça finalmente agir, mesmo que exclusivamente para salvar o único amigo.

A australiana Milly Alcock, que despontou na série australiana Upright, faz ótimo trabalho ao ilustrar o niilismo de Kara sem transformá-la numa figura antipática. Ela também é carismática e dá conta do recado quando precisa entrar em ação, pena que acaba sabotada não apenas pelo roteiro, mas principalmente pela direção de Craig Gillespie, cineasta normalmente competente responsável por obras como Eu, Tonya, Horas Decisivas, A Garota Ideal e o remake de A Hora do Espanto. Por mais versátil e confiável que seja, características que o elevaram à bola de segurança da Warner, Gillespie demonstra uma falta de afinidade alarmante com a Ação. É o que fica claro em quase todos os set-pieces de Supergirl, invariavelmente destruídos pelos cortes frenéticos à la Michael Bay que torna os combates corporais incompreensíveis. Não por acaso, as únicas boas sequências de ação acabam sendo exatamente aquelas filmadas em câmera lenta, pois facilitadas pela decupagem.

Quando não está tentando bater o recorde de cortes por minuto, Supergirl faz o possível para cumprir cada requisito da cartilha Guardiões da Galáxia, mas o fracasso é tão grande quanto a forçada de barra. As músicas escolhidas além de pouco inspiradas, são intrusivas e gratuitas, obrigando personagens a pararem para colocar fones de ouvido, por exemplo. O humor é irregular e a coreografia de luta passa longe de ser inspirada. A maquiagem exibe um abismo parecido, sendo  destaque na trilogia da Marvel e pobre na nova aventura da DC.

E o script não fica muito atrás, pois além de partir de um modelo já desgastado (jovem recorre à pessoa mais experiente para vingar a morte da família) em produções superiores como O Profissional e Bravura Indômita, há incongruências difíceis de serem digeridas como o fato de Kara se definir como uma pessoa que enxerga de verdade as pessoas, mas na prática é ingênua, confiando em estranhos que eventualmente acabam enganando-a.

Entre as novidades, o Lobo de Jason Momoa é criminosamente desperdiçado por uma produção que parece não ter a menor ideia do que fazer com o popular personagem. Aliás, assim como ele parece estrelar um filme completamente diferente, quase nada é conectado, com grandes segmentos colados sem qualquer tipo de costura narrativa. E quando abre-se uma exceção, o resultado é a trama clichê que busca uma ligação entre dois personagens através do luto.

Ao final dos créditos (sem cenas adicionais, vale alertar), confesso ter esperado ver o agradecimento a uma dessas ferramentas de Inteligência Artificial atuais, pois o resultado é como se alguém tivesse pedido a uma IA para fazer um filme de Supergirl com o estilo de Guardiões da Galáxia.


NOTA 3,5

bottom of page
google.com, pub-9093057257140216, DIRECT, f08c47fec0942fa0