

CRÍTICA | "Sirāt"
Quando vemos um senhor acompanhado do filho caçula distribuindo panfletos durante uma rave no meio de um cenário desértico, mal conseguimos imaginar o que está por vir, muito menos Luis, Esteban e a simpática cadelinha Pipa. É o local menos provável para encontrarmos um pai de família na casa dos cinquenta anos junto de uma criança, afinal. O lugar inóspito é ocupado por uma multidão em transe, portando-se como uma horda de mortos-vivos reagindo às batidas eletrônicas por me
Guilherme Cândido
27 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Enzo"
Curioso ter assistido a Enzo pouco tempo depois de A Praga . Ambos retratam as angústias durante a adolescência, com recortes sobre pertencimento e autodescoberta. Enquanto o segundo adota uma abordagem de terror, dando vazão aos sentimentos extremados inerentes à idade, o primeiro opta por caminhos mais convencionais, embora não menos potentes. O núcleo, no entanto, é o mesmo, partindo de questões universais. A produção foi idealizada por Laureant Cantet, do excelente Entre
Guilherme Cândido
24 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Depois do Fogo"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Josh O’Connor está em grande fase. Após despontar em O Reino de Deus (2017), o ator britânico vem aparecendo em filmes de destaque, como La Chimera (2023), Lee (2023) e o extraordinário Rivais (2024). Não por acaso, tem se tornado requisitado em Hollywood. Tanto que só esse ano está listado em quatro produções (Pedro Pascal que se cuide). Um dos dois filmes estrelados por ele a desembarcar no Festival do Rio é este Reconst
Guilherme Cândido
23 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Para Sempre Medo"
Uma cabana no meio da floresta às vezes é tudo o que você precisa para fazer um bom filme de terror. Exemplos não faltam e Osgood Perkins parece ter feito bom proveito deles. Filho de Anthony Perkins, lendário vilão de Psicose (1960), o diretor vem se estabelecendo nos últimos anos como um dos expoentes do Terror Moderno. O filme que de fato catapultou a carreira do estadunidense, no entanto, mal completou dois anos. Em Longlegs , ele contou com um inspiradíssimo Nicolas Cag
Guilherme Cândido
22 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Isso Ainda Está de Pé?"
O manifesto de Anton Ego ao final de Ratatouille (2007) foi irrepreensível como reflexão sobre o papel da Crítica: “Ganhamos fama em críticas negativas que são divertidas de escrever e ler, mas a dura realidade que nós, críticos, devemos encarar é que, no quadro geral, a mais simples porcaria talvez seja mais significativa do que a nossa crítica.” Também foi emocionante vê-lo apontar a importância do crítico, especialmente ao defender novos talentos em tempos tristemente hos
Guilherme Cândido
21 de fev.4 min de leitura


CRÍTICA | "O Frio da Morte"
Aos sessenta e seis anos de idade, trinta e sete deles dedicados ao Cinema, Emma Thompson poderia estar curtindo a aposentadoria ao lado dos netos ou simplesmente usando o tempo livre para lustrar os dois Oscars que ganhou (um de Melhor Atriz por Retorno a Howards End , outro pelo roteiro de Razão e Sensibilidade ), mas prefere continuar nos oferecendo o privilégio de vê-la em cena. O Frio da Morte , no entanto, não faz jus ao talento incontestável da britânica. Isso porque
Guilherme Cândido
20 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "O Morro dos Ventos Uivantes" (2026)
Entre aqueles que leram a obra original da escritora britânica Emily Brontë (1818-1848), há aqueles mais puristas, ávidos por adaptações ipsis litteris, mas também existe o leitor aberto à possibilidade de uma reinterpretação. Particularmente, me identifico mais com esse segundo nicho, pois não me importo de ver a releitura de algo já estabelecido. Aliás, eu mesmo, durante a faculdade, roteirizei um remake "alternativo" de O Morro dos Ventos Uivantes . Os clássicos já estã
Guilherme Cândido
11 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Yes"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Quando pensamos na situação do Oriente Médio como material para uma produção cinematográfica, especialmente os massacres em Gaza perpetrados pelo Estado de Israel, uns imaginarão um documentário-denúncia, outros um drama pungente, mas todos terão em mente um projeto que trata com seriedade absoluta os acontecimentos desencadeados em 7 de outubro. Isso significa que Yes passa muito longe de se encaixar no que entenderíamos ser
Guilherme Cândido
10 de fev.2 min de leitura


CRÍTICA | "Dois Procuradores"
*Crítica publicada originalmente como parte da cobertura do Festival do Rio 2025 Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano, Dois Procuradores é um filme de ficção que traz a marca registrada de um cineasta que também se consagrou como documentarista. Mesmo quando provoca terror ou incredulidade, a produção jamais perde de vista o realismo cru e cruel idealizado por Sergey Loznitsa, nascido onde hoje é a Bielorrússia. Adaptada pelo próprio Loznitsa a partir das
Guilherme Cândido
5 de fev.2 min de leitura


CRÍTICA | "Destruição Final 2"
Esses dias estava conversando com amigos e comentei que iria à cabine de Destruição Final 2 , ao que imediatamente ouvi: “você gosta mesmo desses filmes de brucutu com o Gerard Butler!”. Se por um lado essa conjectura me divertiu, pois apesar das aparências o original passa longe de ser um “filme de brucutu”, por outro, me impôs uma inesperada reflexão. Afinal, escrevi sobre nada menos do que seis filmes estrelados por Butler. E esse número está aumentando nesse exato momento
Guilherme Cândido
4 de fev.4 min de leitura


CRÍTICA | “A Voz de Hind Hajab”
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Às vezes um filme é mais do que uma obra de Arte. Às vezes ele é uma obra necessária. Um testemunho, um manifesto ou até mesmo uma denúncia. The Voice of Hind Rajab , no original, é exatamente isso, um projeto essencialmente político adaptado para uma linguagem cinematográfica a fim de ter um alcance maior. A denúncia, no caso, é dos crimes hediondos cometidos pelo Estado de Israel contra a Palestina, utilizando força militar
Guilherme Cândido
29 de jan.2 min de leitura


Os Indicados ao Oscar 2026
Na manhã de ontem, Danielle Brooks (do remake musical A Cor Púrpura ) e Lewis Pulmann (o Bob de Top Gun: Maverick e Thunderbolts* ) anunciaram os indicados ao prêmio mais cobiçado da indústria cinematográfica. A era dos "velhinhos da Academia" ficou para trás e os quase dez mil membros refletiram em suas escolhas o novo corpo de votantes: diverso, plural e, sobretudo, internacional. Se no passado as categorias principais praticamente só contemplavam filmes falados em ingl
Guilherme Cândido
23 de jan.4 min de leitura


Claquete de Ouro 2026
Saudações, leitores! Ano passado resolvi embarcar na temporada de premiações e criar o primeiro Claquete de Ouro, brincadeira em que escolho os destaques cinematográficos através de categorias que vão além daquelas contempladas pelo Oscar. Falando na premiação mais famosa do Cinema, aproveitei para seguir a novidade da inclusão do quesito "Melhor Elenco". No mais, ressalto que o Claquete de Ouro está apenas começando e, portanto, ainda possui larga margem para evolução, algo
Guilherme Cândido
22 de jan.6 min de leitura


CRÍTICA | "Justiça Artificial"
2025 terminou, mas o interesse dos roteiristas de Hollywood por histórias envolvendo inteligências artificiais permanece intocado, mantendo uma tendência não apenas sem prazo de validade, mas com viés de alta à medida que o assunto segue quente, especialmente na indústria cinematográfica. Enquanto o comportamento majoritário da ala criativa tende a ser hostil, num discurso corroborado por artistas de diferentes patamares, há produções que arriscam vislumbrar um meio-termo con
Guilherme Cândido
22 de jan.3 min de leitura


Oscar 2026 | Palpites para os Indicados
Estamos perante uma temporada previsível de premiações, convenhamos, o que se reflete na repetição de possíveis indicados e a lembrança de produções que estrearam ainda no primeiro semestre, como Pecadores . O filme da Warner, aliás, tem boas chances de igualar o recorde de indicações ao Oscar (impressionantes 14) ostentado por A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land: Cantando Estações e não será uma surpresa se vier, inclusive, a batê-lo. Por falar em recordes, que
Guilherme Cândido
21 de jan.4 min de leitura


CRÍTICA | "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 É um pecado ver a talentosíssima Chloé Zhao desperdiçar seu tempo a frente de projetos dos quais sequer tem pleno controle criativo. Após levar o Oscar por Nomadland em 2020, na famigerada cerimônia impactada pela Pandemia, a chinesa foi cooptada pela Marvel para dirigir logo no ano seguinte o infame Eternos , aventura que, vamos admitir, até possuía potencial na teoria, mas se revelou um tremendo fracasso em vários sentidos,
Guilherme Cândido
16 de jan.3 min de leitura


CRÍTICA | “Transamazônia”
*Crítica publicada durante a cobertura do Festival do Rio 2025 Já passava das 22:00 quando o público finalmente pôde se acomodar na sala de projeção para assistir a Transamazônia , produção financiada por diversos país em prol de um único objetivo: denunciar os maus-tratos ao pulmão do mundo. A diretora-executiva do Festival, Ilda Santiago, subiu ao palco para explicar os critérios utilizados na escolha desse filme para compor a curadoria esse ano. O atraso de mais de meia ho
Guilherme Cândido
10 de jan.3 min de leitura


CRÍTICA | “Família de Aluguel”
*Crítica publicada como parte da cobertura do Festival do Rio 2025 Precisando de alguém para lhe encorajar durante uma apresentação importante? Ou quer ajudar um amigo enlutado a ter com quem conversar? Mais, precisa de alguém para se passar outra pessoa? Acredite se quiser, mas existe uma empresa capaz de suprir todas as demandas acima. Uma não, várias, pois no Japão esse tipo de serviço é extremamente popular desde o início da década de 90, como Werner Herzog mostrou em Uma
Guilherme Cândido
9 de jan.2 min de leitura


CRÍTICA | "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 O Festival do Rio 2025 não tem sido muito amigável para com as mulheres que sonham com a maternidade. Após filmes como Me Ame Com Ternura , Morra, Amor , Hamnet e agora este Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria , é bem provável que as espectadoras pensem com mais cuidado antes de decidir ser mãe. O título já diz tudo, ilustrando a estafa mental e física da personagem de Rose Byrne, uma mulher que tem de se desdobrar em múltip
Guilherme Cândido
2 de jan.2 min de leitura


O Cinema em 2025: Os Melhores e os Piores Filmes do Ano
Saudações, leitores! O ano em que o Tomada 7 completou três primaveras em plena atividade trouxe uma série de marcas. Bati meu recorde de críticas publicadas (quase 150!) e em termos de lançamentos assistidos, igualei o número de 2023 (256 títulos). Ou seja, escrevi sobre a maioria das estreias que prestigiei, algo que dez anos atrás eu consideraria inimaginável e hoje me traz um orgulho tremendo. Tamanha produtividade trouxe reflexos extremamente positivos, como o convite da
Guilherme Cândido
27 de dez. de 202511 min de leitura







