

CRÍTICA | '13 Dias, 13 Noites'
As imagens do derradeiro avião com militares estadunidenses deixando a capital afegã correu o mundo, pois marcava o fim de uma ocupação que durou quase duas décadas. Mas se foi preciso tanto tempo para a coalizão liderada pelos Estados Unidos, aos trancos e barrancos, manter o Talibã sob rédea curta, bastaram algumas horas para a organização terrorista dar os primeiros passos rumo à retomada do poder, algo também captado em imagens que rodaram o globo. E o retorno dos talibãs
Guilherme Cândido
23 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "A Graça"
É particularmente difícil encontrar um filme mais adequado do que A Graça para abrir o Festival de Veneza e tudo se deve ao diretor Paolo Sorrentino, que faz de sua mais nova contribuição com o virtuoso Toni Servillo a mais madura e sofisticada de sua carreira. Da carreira de ambos, na verdade. Napolitanos de origem, talvez seja o amor compartilhado pela charmosa cidade do sul italiano o segredo para uma parceria tão rica e longeva. Vencedor do prêmio de Melhor Ator na últim
Guilherme Cândido
20 de mar.4 min de leitura


CRÍTICA | "Casamento Sangrento 2: A Viúva"
Embora tenha finalizado de forma satisfatória e sem a petulância tipicamente hollywoodiana de deixar brechas para serem seguidas numa continuação, Casamento Sangrento fez tanto sucesso em 2019 que era uma questão de tempo até virar uma franquia. Afinal, esse é o caminho natural de filmes de terror lucrativos, principalmente pela tradição de serem baratos de produzir. E por se tratar de uma sequência, é claro que Casamento Sangrento: A Viúva se farta do exagero, seguindo o m
Guilherme Cândido
19 de mar.3 min de leitura


Oscar 2026 | Os Vencedores
Impressionante como muitas mudanças podem ocorrer de um ano para o outro, especialmente em termos de Oscar. Sim, alguns elementos se repetiram (Conan O'Brien de novo na apresentação, Brasil no páreo pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, Timothée Chalamet pelo de Melhor Ator e a alta possibilidade de surpresas. O que se viu, no entanto, foi uma cerimônia bem diferente. Se a justiça imperou entre os vencedores (não em todas as categorias, mas deixemos esse assunto para depo
Guilherme Cândido
16 de mar.9 min de leitura


CRÍTICA | "Missão Refúgio"
Somente uma pandemia global pode parar Jason Statham e digo isso com toda a convicção possível, pois desde 2000, o britânico lançou ao menos um longa-metragem por ano. A exceção? Pois é. Aliás, me corrijo: em 2022 ele também não deu o ar da graça. Mas em compensação, ele apareceu em quatro filmes no ano seguinte, mantendo a média anual incólume. Se Statham nem de longe aparenta lassitude, seus papéis, ao contrário, estão variando cada vez menos. Não me refiro à persona durona
Guilherme Cândido
14 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "Iron Lung - Oceano de Sangue"
O Cinema é uma Arte coletiva, mas quando parte da paixão de uma única pessoa, a tendência é o resultado impressionar, para o bem e para o mal. Com milhões de inscritos em seu canal no YouTube, Mark Fischbach ou Markiplier, como se apresenta, ganhou fama jogando Iron Lung , um game independente de terror do qual nunca escondeu seu amor. Tanto que resolveu ele mesmo adaptá-lo para as telonas. Após obter a benção do criador do projeto, o norte-americano David Szymanski , Fischba
Guilherme Cândido
13 de mar.3 min de leitura


Oscar 2026 | Palpites Finais
Saudações, leitores! Mais uma temporada de premiações se encerrando, o que significa a proximidade de mais uma cerimônia de entrega do Oscar. E mais uma vez o Brasil marca presença! Se ano passado tivemos Ainda Estou Aqui fazendo história, esse ano temos O Agente Secreto tentando repetir o feito. O longa-metragem do pernambucano Kleber Mendonça Filho igualou Cidade de Deus (2002) e tornou-se a produção brasileira mais indicada de todos os tempos ao aparecer em quatro categ
Guilherme Cândido
12 de mar.10 min de leitura


CRÍTICA | "Devoradores de Estrelas"
Um homem tentando sobreviver no espaço sideral enquanto busca uma forma de retornar para a Terra já foi tema de diversas ficções científicas ao longo das décadas, mas uma em específico serve de inspiração-mor para este Devoradores de Estrelas , filme da Amazon/MGM distribuído pela Sony nos cinemas. Trata-se de Perdido em Marte (2015), no qual Matt Damon emprestava seu carisma para um botânico deixado à deriva no planeta vermelho. Coincidentemente ou não, ambos os filmes são
Guilherme Cândido
12 de mar.4 min de leitura


CRÍTICA | "Kokuho - O Preço da Perfeição"
Quando um filme deixa para trás nas bilheterias obras-primas de mestres como Akira Kurosawa, Hirokazu Kore-eda e Yasujirô Ozu, a atenção do ocidente costuma ser despertada. Kokuho - O Preço da Perfeição alcança esse feito apresentando-se como um épico de quase três horas de duração sobre a Arte do Kabuki, uma mistura de performance teatral com rituais que evocam mais de 400 anos de tradição. Como as mulheres não tinham permissão para performar, os homens também interpretavam
Guilherme Cândido
8 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "Hey Joe"
A densa história de um veterano alcoólatra e depressivo da Segunda Guerra que subitamente descobre ter deixado um filho para trás enquanto esteve no fronte em Nápoles, oferece imagens deslumbrantes da costa sul da Itália e de quebra traz a fascinante relação entre dois homens de personalidades opostas tentando recomeçar. Mesmo assim, o maior atrativo de Hey Joe está fora da tela, pois trata-se do retorno do ator James Franco ao Cinema. Para quem não se lembra, o astro de Hol
Guilherme Cândido
7 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "Pânico 7"
Nenhuma franquia chega ao sétimo capítulo sem passar por alguma reinvenção. Famosa por brincar com clichês e convenções do horror em slashers autoconscientes, Pânico passou por diversas mudanças ao longo dos anos. Primeiro perdeu Kevin Williamson, criador do conceito e roteirista dos dois primeiros filmes. Depois, o falecimento do diretor Wes Craven após o (ótimo) quarto filme forçou mudanças mais drásticas: A dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (do criativo Casamen
Guilherme Cândido
6 de mar.4 min de leitura


CRÍTICA | "A Noiva!"
É impossível assistir a este A Noiva! sem lembrar do controverso Coringa: Delírio a Dois . E mais, o segundo trabalho da atriz Maggie Gyllenhaal como cineasta soa como a materialização dos sonhos molhados de Todd Phillips, inacreditavelmente responsável pelos dois filmes do vilão interpretado por Joaquin Phoenix. Mais preocupado em contrariar a ala xiita dos fãs de sua primeira adaptação dos quadrinhos da DC, o realizador manchou o legado de sua bilionária e premiada franqui
Guilherme Cândido
6 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "Mother's Baby"
Tem sido uma temporada desafiadora para aqueles que embarcam no sofisma de que a maternidade é uma etapa obrigatória na vida de toda mulher. Não chega a ser surpreendente ainda termos de debater esse tema em pleno século XXI, levando em consideração o estágio anacrônico de nossa sociedade, imersa num lamaçal retrógrado fortalecido pela onda conservadora que vem tomando conta do planeta. Felizmente, ainda há artistas dispostos a questionar o status quo , como fez Mary Bronstei
Guilherme Cândido
3 de mar.3 min de leitura


CRÍTICA | "Sirāt"
Quando vemos um senhor acompanhado do filho caçula distribuindo panfletos durante uma rave no meio de um cenário desértico, mal conseguimos imaginar o que está por vir, muito menos Luis, Esteban e a simpática cadelinha Pipa. É o local menos provável para encontrarmos um pai de família na casa dos cinquenta anos junto de uma criança, afinal. O lugar inóspito é ocupado por uma multidão em transe, portando-se como uma horda de mortos-vivos reagindo às batidas eletrônicas por me
Guilherme Cândido
27 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Enzo"
Curioso ter assistido a Enzo pouco tempo depois de A Praga . Ambos retratam as angústias durante a adolescência, com recortes sobre pertencimento e autodescoberta. Enquanto o segundo adota uma abordagem de terror, dando vazão aos sentimentos extremados inerentes à idade, o primeiro opta por caminhos mais convencionais, embora não menos potentes. O núcleo, no entanto, é o mesmo, partindo de questões universais. A produção foi idealizada por Laureant Cantet, do excelente Entre
Guilherme Cândido
24 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Depois do Fogo"
*Crítica publicada durante o Festival do Rio 2025 Josh O’Connor está em grande fase. Após despontar em O Reino de Deus (2017), o ator britânico vem aparecendo em filmes de destaque, como La Chimera (2023), Lee (2023) e o extraordinário Rivais (2024). Não por acaso, tem se tornado requisitado em Hollywood. Tanto que só esse ano está listado em quatro produções (Pedro Pascal que se cuide). Um dos dois filmes estrelados por ele a desembarcar no Festival do Rio é este Depois
Guilherme Cândido
23 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Para Sempre Medo"
Uma cabana no meio da floresta às vezes é tudo o que você precisa para fazer um bom filme de terror. Exemplos não faltam e Osgood Perkins parece ter feito bom proveito deles. Filho de Anthony Perkins, lendário vilão de Psicose (1960), o diretor vem se estabelecendo nos últimos anos como um dos expoentes do Terror Moderno. O filme que de fato catapultou a carreira do estadunidense, no entanto, mal completou dois anos. Em Longlegs , ele contou com um inspiradíssimo Nicolas Cag
Guilherme Cândido
22 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "Isso Ainda Está de Pé?"
O manifesto de Anton Ego ao final de Ratatouille (2007) foi irrepreensível como reflexão sobre o papel da Crítica: “Ganhamos fama em críticas negativas que são divertidas de escrever e ler, mas a dura realidade que nós, críticos, devemos encarar é que, no quadro geral, a mais simples porcaria talvez seja mais significativa do que a nossa crítica.” Também foi emocionante vê-lo apontar a importância do crítico, especialmente ao defender novos talentos em tempos tristemente hos
Guilherme Cândido
21 de fev.4 min de leitura


CRÍTICA | "O Frio da Morte"
Aos sessenta e seis anos de idade, trinta e sete deles dedicados ao Cinema, Emma Thompson poderia estar curtindo a aposentadoria ao lado dos netos ou simplesmente usando o tempo livre para lustrar os dois Oscars que ganhou (um de Melhor Atriz por Retorno a Howards End , outro pelo roteiro de Razão e Sensibilidade ), mas prefere continuar nos oferecendo o privilégio de vê-la em cena. O Frio da Morte , no entanto, não faz jus ao talento incontestável da britânica. Isso porque
Guilherme Cândido
20 de fev.3 min de leitura


CRÍTICA | "O Morro dos Ventos Uivantes" (2026)
Entre aqueles que leram a obra original da escritora britânica Emily Brontë (1818-1848), há aqueles mais puristas, ávidos por adaptações ipsis litteris, mas também existe o leitor aberto à possibilidade de uma reinterpretação. Particularmente, me identifico mais com esse segundo nicho, pois não me importo de ver a releitura de algo já estabelecido. Aliás, eu mesmo, durante a faculdade, roteirizei um remake "alternativo" de O Morro dos Ventos Uivantes . Os clássicos já estã
Guilherme Cândido
11 de fev.3 min de leitura







